Porque faço greve: 5 razões

O Ramiro foi inquirido por um jornalista sobre as suas razões para não fazer greve (entre parênteses). Razões falaciosas! Tanto servem para não fazer com para fazer greve (a negrito).

(#1. Porque não quero contribuir para criar uma imagem de país à deriva e sem norte.)

Porque não quero contribuir para criar uma imagem de um país acabrunhado e resignado.

(#2. Porque o país está falido e há dois responsáveis principais pela falência: os governos socialistas e os sindicatos, sobretudo os mais odiados pelos portugueses, os sindicatos dos transportes, que andam há décadas a exigir a Lua sem se preocuparem com a melhoria da produtividade e da competitividade do país.)

Porque o país está falido e há dois responsáveis principais pela falência: os governos PS e PSD (com o seu tradicional apêndice) com a conivência de milhares de oportunistas e fazedores de opinião que cobiçam a cadeira do poder (ou a cadeira de avençados) fazendo o que for preciso para lá chegar, sem qualquer réstia de pudor pela incongruência das suas posições políticas que são norteadas, unicamente, pela ganância do poder.

(#3. Porque o país precisa de trabalho e não de paralisia. Só com mais trabalho e mais responsabilidade é que Portugal pode aspirar a manter-se na União Europeia e eu não quero voltar à época do “sozinhos, pobres mas honrados”.)

Porque o país precisa de trabalho e de políticas que o promovam. Só com mais responsabilidade é que Portugal pode aspirar a manter-se na União Europeia e quem promove políticas de austeridade, que são fins em si mesmas, denota vontade em voltar à época do “sozinhos, pobres mas honrados”.

(#4. Porque Portugal tem um problema de credibilidade face aos credores, aos mercados e aos nossos parceiros da zona euro. Não se ganha credibilidade com greves gerais.)

Porque Portugal tem um problema de credibilidade face aos credores, aos mercados e aos nossos parceiros da zona euro. A credibilidade não se ganha ou perde com greve gerais. A credibilidade ganha-se com a credibilidade dos líderes políticos europeus. Os mercados são pessoas, são aforradores, a maioria das quais envolvidas nas greves gerais, que desejam uma ação concertada de médio e longo prazo ao invés de medidas avulsas que resultam das cimeiras de líderes.

(#5. Porque a greve geral interessa aos partidos que mais colaboraram na destruição da economia do País e eu não quero dar-lhes força. Ao invés, desejo que tenham cada vez menos influência nos destinos políticos do país.)

Porque a greve geral não interessa aos partidos que destruíram a economia do País e eu não quero dar-lhes força. Ao invés, desejo que tenham cada vez menos influência nos destinos políticos do país.

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7 thoughts on “Porque faço greve: 5 razões

  1. dancing with mister d. 20/11/2011 às 15:29 Reply

    Precisamente pelas razões que ele evoca…Fazemos greve…

  2. Luís Costa 20/11/2011 às 15:58 Reply

    Muito bem, Miguel!

  3. nêspera 20/11/2011 às 16:31 Reply

    Claro que fazemos greve. Por todas as razões!

  4. Pexim 20/11/2011 às 22:20 Reply

    Sobre o Ramiro:
    “De onde menos se espera, já dizia o Barão de Itararé, é que não vem nada que preste.”

  5. IC 21/11/2011 às 00:29 Reply

    Pois eu (que lamento estar aposentada porque assim estou excluída dessa forma de luta) diria simplesmente que a grande razão para fazer greve é ser o actual governo um conivente lacaio de mercados e troikas, sem qualquer pudor em destruir as conquistas civilizacionais das últimas dezenas de anos.
    Ramiros que dizem que um dos dois principais culpados da situação são os sindicatos são tão ridículos que até me custa vê-los citados. Quanto ao “outro culpado”, sem dúvida que terá tido culpas, mas também acho que se tornam quase irrelevantes perante a trama internacional que está a levar os povos a optarem por governos de extrema-direita, e com maiorias absolutas, do que não duvido que se virão a arrepender amargamente (hoje a Espanha… para quê? para evitarem a arma dos juros superiores a 7%? como se a evitem caso o governo eleito não seja tão, tão lacaio como os mercados querem!).

  6. IC 21/11/2011 às 00:44 Reply

    Miguel, o que está em jogo é muito mais sério do que os problemas da cada país como o nosso, Grécia, Espanha… É a Democracia, cá e na Europa, e quem faz campanhas contra a adesão à greve e a outras formas de luta está, no mínimo, cego.
    Já agora, uma pequena nota: nem se dão ao trabalho de revogar leis para legitimar legalmente medidas: “Os subsídeos de Natal e de férias são inalienáveis e impenhoráveis” – artº 17 do Dec_Lei 496/80:
    http://www.igf.min-financas.pt/inflegal/bd_igf/bd_legis_geral/Leg_geral_docs/DL_496_80.htm

  7. de Barroso 22/11/2011 às 22:12 Reply

    Inteligente, Miguel. Gosto particularmente da tua primeira razão. É a mais forte, a mais vital, incontestável!

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