António Barreto escreveu no Público:

Após um breve olhar há que destacar o seguinte:

“A educação, por si só, não cria cultura nem liberdade. Nem é motor do desenvolvimento.”

Comentário: E se definisse educação e liberdade?

“A igualdade social não veio a reboque do desenvolvimento da educação.”

Comentário: Argumento contrário – Sem educação será possível falar de igualdade social?

“Em Portugal é provável que o crescimento da educação em todos seus aspectos tenha, entre outros resultados, o aumento das desigualdades sociais.”

Comentário: Provérbio: Quanto mais sobe maior será a queda!

“Desde que as orientações se tornem independentes dos dois mais poderosos factores de conservação desta famigerada ideologia: a burocracia ministerial (e seus técnicos e especialistas) e os sindicatos de professores. São estes dois corpos os verdadeiros responsáveis pela política educativa em Portugal, ajudados evidentemente pela demagogia dos dois grandes partidos.”

Comentário: Ora venha daí uma alternativa!

Os fins

Decorre deste texto do Manuel um olhar sobre o actual modelo de organização da escola.

Não existe acordo generalizado exógeno ou endógeno sobre a falência do modelo de organização da escola. Mas admitamos que esse acordo será indeclinável tendo em conta as exigências insatisfeitas que a sociedade vai observando a partir de uma presumida ineficácia da escola. Neste quadro, a discussão sobre um modelo alternativo seria obrigatório.

Cabe-me perguntar se esse modelo alternativo prosseguiria os objectivos que têm conferido sentido à educação, agrupando-se nas temáticas sugeridas por Sacristán:

  • A fundamentação da democracia;
  • O estímulo ao desenvolvimento da personalidade do sujeito;
  • A difusão e incremento do conhecimento e da cultura em geral;
  • A inserção dos sujeitos no mundo;
  • A custódia dos mais jovens, suplantando nessa missão a família?

O poder.

A educação é o poder mais alto. Embora o poder político seja o poder de referência, na base encontramos o poder pedagógico. Que boa forma esta de legitimar o poder do homem sobre o homem.

É neste quadro de convém perceber as movimentações sociais que visam limitar o acesso ao saber dos grupos economicamente vulneráveis. A massificação do ensino gerou a ascensão social de determinados estratos da população de parcos recursos económicos. A origem social deixou de constituir um factor determinante para o exercício de funções bem remuneradas.

Há que enquadrar a origem do nervosismo dos que bradam incessantemente pela crise da escola e que reclamam o direito de escolha da melhor escola para os seus.

Não sendo refutada a crença de que com a educação se alcança o maior bem-estar e a plenitude para os indivíduos e a sociedade, há que perceber que este discurso da crise e da ineficiência da escola satisfaz os arautos neoliberais.

O que mais me impressiona é a facilidade com que estes discursos foram assimilados pelo senso comum.

A estocada

A desvalorização da profissão docente tem sido uma constante na última década e meia. Os beneficiários desta degradação profissional não serão certamente os alunos, as famílias, o estado, a sociedade. Serão pequenos grupos que, circunstancialmente, ganham com a conjuntura. Há que desvendar os rostos daqueles que se escondem por detrás de uma ideologia que prevaleceu na modernidade e que não enxerga o alcance destas mesquinhas lutas sectoriais. Políticos obcecados pelo poder, jornalistas acólitos, pseudo liberais que só clamam pelo Estado quando a desgraça lhes bate à porta.

Por seu turno, os professores do ensino básico e secundário assistem com uma incompreensível letargia à redução salarial, ao empobrecimento das condições e intensificação do trabalho, às consequências nefastas da proliferação sem critério de cursos de formação inicial com qualidade duvidosa.

Uma nova estocada na dignificação profissional do professor sobressai do recente concurso de professores.

Paradoxalmente, os obreiros desta cabala ideológica derramam lágrimas de crocodilo quando pressentem má qualidade na formação que é ministrada aos seus educandos.

As vozes que reclamam a renovação dos incentivos (essencialmente financeiros) nos sectores fulcrais da administração pública de forma a atrair os melhores quadros do sector privado manterão esse mesmo argumento quando se apelar ao incremento de qualidade no sistema educativo?