De luto e em luta

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Numa ação dirigida às lideranças intermédias no âmbito de um processo de autoavaliação das escolas do agrupamento (algo que não deve ser confundido com o processo de autoavaliação do agrupamento de escolas), o investigador convidado que dirigia os trabalhos alinhava o seu pensamento com as ideias de Perrenoud, sociólogo e professor na Universidade de Genebra, autor de uma vasta obra na formação de professores. Para os mais familiarizados com o linguajar “gestionário”, Perrenoud é um dos referentes externos do nosso referencial. Para os menos familiarizados com esse linguajar, Perrenoud será um dos nossos gurus, não só da avaliação dos resultados escolares como da avaliação de outras áreas a avaliar. Para o bem e para o mal!

Muito haveria a dizer sobre o pensamento de Perrenoud e mais ainda sobre os perigos de se treslerem as ideias de autores de referência (quem não se lembra do caso do escritor Nuno Crato ter treslido Rousseau?)…. mas não temos tempo.

O que diria Perrenoud se fosse convocado para a “discussão pública” desenhada em torno de um documento estruturante, como é o caso do regulamento interno, “estrangulado” por uma resma de documentos reguladores?

Diria, muito provavelmente: “… que uma parte do problema da escola não reside nas suas intenções, mas na maneira como ela organiza o trabalho, como perde tempo e energia no prosseguimento de objetivos sem grande importância, na sua falta de continuidade no tratamento dos problemas.” (Perrenoud, 2002)

O pensamento de Perrenoud, no que diz respeito ao peso burocrático que afeta a escola e extenua os professores, não podia ser tão desafiante e tão contundente face às rotinas instaladas.

Os megas situados – Entre o anacrónico e o paroquial!

Ainda é cedo para formular um juízo situado sobre os problemas que decorrem da agregação que “vitimou” a minha escola. A notícia e os testemunhos que surgem nesta pequena janela do DN (que roubei descaradamente ao Arlindo) remetem-nos para questões materiais, não direi que são despiciendas porque a degradação das condições salariais dos professores configura um roubo de igreja, e quase que deixam escapar outros sinais que atestam a transformação das escolas… para pior:

É anacrónico o modo como a informação encrava quando deveria ser processada mais rapidamente, ou não estivéssemos no tempo da velocidade, dos bites e dos bytes (é o tempo do bitaite!);

É daltónica a cultura visual, instantânea, marcada pela superficialidade, como se se ousasse substituir a reflexão aturada e o debate público rigoroso;

É paradoxal a tentativa de centralizar a gestão quando as boas práticas aconselham a descentralização das decisões e das lideranças;

É irónico que as estruturas organizacionais mais planas sejam amarfanhadas num controlo hierárquico dissimulado.

Há quem os designe de equívocos “pós-modernistas” gestionários. Eu chamo-lhe apenas paroquialismo!

Só nos faltava mais este…

Miguel Relvas anunciou ainda que o desporto escolar irá ser alargado ao 1.º ciclo do ensino básico.

“O Governo não faz campeões, mas cria as condições para que esses campeões sejam feitos. E, nesse sentido, o Governo criou todas as condições”, defendeu.

Convém ter presente que estas palavras são de Miguel Relvas. E quando Miguel Relvas toca num assunto, há que temer o pior. Depois da previsível machadada na Educação Física, porque não se esperaria outra coisa de um ministro sectário ofuscado pela matemática, resta o desporto escolar para a atrofia definitiva da escola. Ou será que ainda não perceberam que a educação física é uma forma específica da relação do sistema educativo com o corpo?!

Individualismo e as lutas individuais…

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Déjà vu (II)

É um facto indesmentível que as associações/federações sindicais ainda não conseguiram acertar os passos numa caminhada conjunta, como constatou o Nuno. As razões que determinaram esse facto são especulativas. Cada um enfatizará o que mais lhe convier para explicar a aparente idiotice: Do meu ponto de vista, o facto de a FENPROF caminhar sozinha decorre de outro facto: a FNE encontra-se ideologicamente cativa das políticas de direita que não lhe permite fazer uma oposição enérgica ao governo; do ponto de vista daqueles que se situam no lado direito do quadrante político, é compreensível que necessitem de culpar a FENPROF pelo desejo de um putativo protagonismo nas iniciativas de rua ou nos protestos de massas; do ponto de vista dos pseudoindependentes das estruturas sindicais, este assunto é irrelevante porque as iniciativas coletivas são estéreis, sobrando as heroicas iniciativas individuais que a existirem são desconhecidas pelas massas e obstaculizam, sabe-se lá como, o avanço das políticas opressivas deste governo.

A realidade é multicolor!

Déjà vu

Já dei para esse peditório, Paulo!

Uma boa manifestação para ti também…