Greve Geral: Se o meu avô tivesse rodas era um camião.

É nos momentos em que as palavras não dispensam a ação, como é o caso da adesão a uma greve, que ainda consigo ficar espantado com a candura argumentativa de alguns pseudointelectuais da nossa praça.

Ontem, Carlos Fiolhais, um físico, ensaísta e professor universitário, declarava ao DN: “Esta greve não é eficaz, se eu tivesse a certeza que a minha participação mudaria alguma coisa, obviamente, faria greve

Utilizando a linha argumentativa relativa à eficácia da greve usada por Carlos Fiolhais, Ilídio Trindade, um professor que emergiu dos movimentos de professores contestatários às políticas educativas dos governos Sócrates, afirmava: “Sou favorável apenas a greves que resolvam os problemas. Uma greve de um dia não faz sentido, porque não serve de nada, não tem efeito. E no caso dos funcionários públicos, como são os professores, o Governo ainda vai ficar contente por poupar uns quantos milhões nos vencimentos.”

Esperava mais substância nas razões invocadas quer pelo reputado físico quer pelo colega Ilídio. Um e outro afinaram pelo mesmo diapasão argumentativo mas desafinam na coerência.

Vejamos: o que levaria Carlos Fiolhais a fazer greve? A garantia de que a sua presença seria determinante para o sucesso da greve. É um ideia tão absurda que até custa desmontar. Pensemos em dois exemplos similares para demonstrar a fragilidade argumentativa, um assertivo e um exemplo perverso: 1º posso depreender que Carlos Fiolhais não exerce o seu direito ao voto porque é ínfima a probabilidade de poder determinar o resultado de qualquer eleição; 2º como é despicienda a sua contribuição para o volume de receitas do Estado, posso depreender que Carlos Fiolhais não paga os seus impostos?

O argumento hiperbólico do Ilídio fez escola na governação do governo Sócrates: é o argumento da fuga em frente; é um problema de dose. Chegar ao sucesso reforçando a receita do insucesso. Só que da receita do Ilídio emergem algumas questões que importa responder: Será que o governo infletiria as suas políticas se houvesse uma greve geral de uma semana, de um mês ou de um ano, só com meia dúzia de guerreiros? Neste caso a quantidade importa. De que valeria uma greve de um ano sem adesão significativa? É aqui que se cruza o argumento do Carlos Fiolhais: “Esta greve não é eficaz, se eu tivesse a certeza que a minha participação mudaria alguma coisa, obviamente, faria greve”

Pois…

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4 thoughts on “Greve Geral: Se o meu avô tivesse rodas era um camião.

  1. donatien 13/11/2012 às 15:25 Reply

    A greve passou a ser um problema de físicos…A mim até me parece Metafísica…pino,b…e cambalhota.

  2. patriotaeliberal 14/11/2012 às 12:16 Reply

    Já não tenho paciência para argumentos destes.

    Siga-se em frente.

    Quem está, está. Quem não está não está.

    Ou, de como dizia a LIli, estar vivo é o contrário de estar morto.

  3. Rui Ferreira 15/11/2012 às 10:57 Reply

    Parvos, é o que são.
    Tem tanta legítimidade quem faz e quem não faz.
    Agora fazer porque os outros… se tem ou não efeito…
    Falsas questões, razões, fudamentações.
    A adesão à Greve é uma opção individual.
    A opção tem referência na sua própria consciência.

  4. Jorge Guimarães 15/11/2012 às 23:04 Reply

    Se os meus tomates fossem vermelhos, encarnado vivo como os que se compram ao hortelão. Poderia eu falar de ter uma horta, entre pernas, em vez de testículos?!!! Só me apetece mesmo é mandá-los bugiar…

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