Não chega de lamber as botas?

Percebe-se melhor, depois de conhecida a boleia, o ziguezaguear do Cata-vento.

Hoje verborreia sobre o crime de lesa-pátria que foi o crescimento do grupo de Educação Física usando como argumento, o financeiro. Diz ele que fica caro. Diz também que o desporto deve fazer-se sobretudo nas associações e clubes desportivos. Defende que o Estado deve lavar as suas mãos nesta matéria…

150 minutos por semana chegam, diz lá do alto da sua cátedra o sabichão. Presume-se que a OMS, o Parlamento Europeu e os especialistas da área estejam todos enganados.

Lá pelo meio do texto ainda opina sobre a falácia que resulta do facto da classificação de Educação deixar de contar para a contabilização da média aos alunos que prosseguem estudos no ensino superior. O argumento é pobre, pobrezinho de todo. Parece que há alunos prejudicados porque têm notas baixas a Educação Física. “Não me parece que os alunos devam ser prejudicados na média por causa de não terem gosto nem aptidão pela Educação Física.” O professor José Soares já desmontou aqui o argumento biológico, mas o tipo faz ouvidos de mercador…

E a cereja em cima do bolo aparece no remate. Parece que corporalidade não é estruturante. Estruturante é superstição, não é Ramiro?

Rankings da treta

A hierarquização das escolas, como efeito da publicação dos resultados dos alunos nos exames nacionais, é um dos entretenimentos favoritos da comunicação social nesta altura do ano.

A proliferação de listas pela comunicação social acaba por refletir o entendimento hegemónico de que uma boa escola é aquela que ocasiona os melhores resultados em prova de exame.

Claro que esta tese colhe muito bem sempre que há uma normalidade nos resultados. Nós que vivemos em organizações vocacionadas para a competição sabemos bem que os resultados são multifatoriais e que a realidade não pode ser contida numa folha de excel. E se gosta de folhas de excel, pode tentar elencar hipóteses de explicação para as diferenças de posicionamento de escolas em dois anos consecutivos.

AscDes

Mas pode, e deve, ir um pouco mais longe:

“Como tenho repetido ao longo destes anos, o nosso olhar deve dirigir-se não só para as 100 escolas melhor posicionadas, mas também e sobretudo para as 100 pior colocadas e para todas aquelas cujos resultados estão abaixo do “valor esperado para o seu contexto”. Uma cultura que promove o sucesso dos bem-sucedidos incentiva apenas o olhar para os melhores. Mas essa não é a única cultura que devemos valorizar. Nas escolas em contexto mais desfavorecido estudam muitos milhares de alunos a quem não são proporcionadas boas condições de aprendizagem; pode haver directores e equipas dirigentes que devam ser substituídas logo que possível; há muitos professores que não vêem valorizado o seu desempenho profissional (realizado por vezes em condições muito difíceis); pode haver muito desinteresse por parte das instituições da comunidade local face à situação das escolas…
Da análise destes dados resultam duas conclusões: (i) existe uma elevada influência do contexto cultural e socioeconómico sobre os resultados dos exames; (ii) esta certeza não é nenhuma fatalidade social, porque se trabalha em muitas escolas acima do “esperado”; (iii) urge agir publicamente junto das escolas em maiores dificuldades.
A escola democrática não é apenas a escola aberta a todos; é a escola que promove as aprendizagens e o desenvolvimento por parte de cada um. E esta é a escola que temos de continuar a construir.” (Joaquim Azevedo)

Cata-vento

É cada vez mais difícil de classificar a metamorfose do Ramiro sem roçar o insulto. Mas, convenhamos: por cada incoerência e titubearia ideológica, o Ramiro dá um coice na inteligência de quem o lê. Tentar encontrar uma razão substantiva que justifique a sua fidelização insaciável e sôfrega por tudo o que o MEC expele é cada vez mais uma perda de tempo. Mas desta vez o Ramiro ultrapassou os limites. Claro que só não mudam de opinião os tontos e os ignorantes. Mas não é de uma opinião passageira que se trata. Trata-se de uma mudança de quadro de referência. Para quem defendeu de forma obstinada a escola cultural, e não exagero no adjetivo, como atestam as suas intervenções nos vários colóquios da AEPEC, vir agora defender que “o Relatório Final – Proposta Global  de Reforma, um documento de 708 páginas que marcou o início da hegemonia do eduquês na Escola Pública Portuguesa” nem ao diabo lembra.

É verdade que nem tudo correu como devia. É verdade que a reforma do sistema educativo esteve imersa em paradoxos, como reconheceu Manuel Ferreira Patrício quando escreveu o “Escola Cultural – Horizonte decisivo da reforma educativa”. Mas daí a conspurcar a ideia de escola que subjaz à atual lei de bases do sistema educativo com essa coisa do eduquês vai uma grande distância.

A não ser que o Ramiro se refira a afirmações deste género, saídas da sua pena:

“É possível afirmar, portanto, que existe uma certa correlação entre uma grande diversificação curricular e diferenciação social e que um currículo comum, academicamente orientado, favorece a igualdade de oportunidades. Daí que, embora seja verdade que a livre escolha das escolas é um instrumento de pressão a favor da eficácia das escolas, também é certo que a partir de determinado limite é um fator de estratificação social. Perante esta contradição que posição poderão ter os que defendem simultaneamente o aumento da igualdade de oportunidades e a melhoria da eficácia das escolas? Estou em crer que o modelo de educação pluridimensional e da escola cultural nos permite superar esta contradição.”*

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*Patrício, M,F. (1997). Formar professores para a escola cultural no horizonte dos anos 2000. Porto Editora. pp 155-161.

Reinvenção da equidade ou como descobrir a roda em 2012.

Funcionários públicos e reformados só perdem um subsídio.

Digam-me lá se o Gasparzinho não merecia levar com um gato morto na carola até ele miar…

Expliquem-me como se fosse muito burro: a medida era inconstitucional quando se tratava de dois subsídios; passou a ser uma medida constitucional só porque o governo decide apropriar-se de “apenas” um subsídio? Extraordinário!

Destinatário: ministro Crato

Uma em cada 3 crianças tem excesso de peso – APCOI

Três dados chave sobressaem deste vídeo.

  1. Em média, cada criança fica 4 horas por dia em frente à TV. Esse tempo pode aumentar até 7 horas diárias no fim de semana.
  2. Uma em cada três crianças tem excesso de peso.
  3. Apenas 40% das crianças realizam atividades físicas extracurriculares.

Pergunta: Se apenas 40% das crianças portuguesas conseguem realizar atividade física fora da escola, o que será dos outros 60%? O que poderá obrigatoriamente garantir atividade física a todas as crianças?

Resposta: Duas palavras –  Educação Física