Rankings da treta

A hierarquização das escolas, como efeito da publicação dos resultados dos alunos nos exames nacionais, é um dos entretenimentos favoritos da comunicação social nesta altura do ano.

A proliferação de listas pela comunicação social acaba por refletir o entendimento hegemónico de que uma boa escola é aquela que ocasiona os melhores resultados em prova de exame.

Claro que esta tese colhe muito bem sempre que há uma normalidade nos resultados. Nós que vivemos em organizações vocacionadas para a competição sabemos bem que os resultados são multifatoriais e que a realidade não pode ser contida numa folha de excel. E se gosta de folhas de excel, pode tentar elencar hipóteses de explicação para as diferenças de posicionamento de escolas em dois anos consecutivos.

AscDes

Mas pode, e deve, ir um pouco mais longe:

“Como tenho repetido ao longo destes anos, o nosso olhar deve dirigir-se não só para as 100 escolas melhor posicionadas, mas também e sobretudo para as 100 pior colocadas e para todas aquelas cujos resultados estão abaixo do “valor esperado para o seu contexto”. Uma cultura que promove o sucesso dos bem-sucedidos incentiva apenas o olhar para os melhores. Mas essa não é a única cultura que devemos valorizar. Nas escolas em contexto mais desfavorecido estudam muitos milhares de alunos a quem não são proporcionadas boas condições de aprendizagem; pode haver directores e equipas dirigentes que devam ser substituídas logo que possível; há muitos professores que não vêem valorizado o seu desempenho profissional (realizado por vezes em condições muito difíceis); pode haver muito desinteresse por parte das instituições da comunidade local face à situação das escolas…
Da análise destes dados resultam duas conclusões: (i) existe uma elevada influência do contexto cultural e socioeconómico sobre os resultados dos exames; (ii) esta certeza não é nenhuma fatalidade social, porque se trabalha em muitas escolas acima do “esperado”; (iii) urge agir publicamente junto das escolas em maiores dificuldades.
A escola democrática não é apenas a escola aberta a todos; é a escola que promove as aprendizagens e o desenvolvimento por parte de cada um. E esta é a escola que temos de continuar a construir.” (Joaquim Azevedo)

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