Há argumentos que servem,… este não!

Corro risco de descontextualizar a discussão que terá levado o Paulo a escrever este post. Mas não resisto a comentar esta afirmação:

Mas voltando ao que disse, acho que mais do que quais poderes punitivos das escolas ou professores ou imposições exteriores, muitos alunos precisam desenvolver um mínimo de auto-controle e auto-disciplina, de forma a não confundirem criatividade e liberdade com a busca permanente de satisfação dos seus desejos ou desenvolvimento pessoal com total descontrole de um ego dominado pelas necessidades e um id desmesurado.

Se os exames podem ter um papel positivo, entre nós, no nosso contexto específico, para isso? Acho quem sim e que há adultos que deveriam, de uma vez por todas, resolverem os seus traumas infanto-juvenis.

É fácil de demonstrar a fragilidade do argumento da auto-disciplina e de auto-controlo que evoca o Paulo Guinote em defesa dos exames nacionais.

Dizer que um aluno com um mínimo de auto-controle e auto-disciplina fica mais apetrechado para resolver uma prova de exame (dominando a matéria em avaliação, obviamente) é uma coisa; Outra coisa bem distinta é considerar que um exame desenvolve essas capacidades, o que é falso. Os exames funcionam aqui como qualquer outra competição a que o aluno é sujeito, como a competição desportiva por exemplo: Os exames, como qualquer outra prova, permitem expressar essas capacidades. E quanto mais importante e mais exigente for a prova ou competição, mais relevante é o treino. E as capacidades de auto-controle e de auto-disciplina não são exclusivas do treino para exames nacionais.

Fazendo uma ponte entre este assunto e aquele que me tem ocupado nos últimos dias (mais precisamente, o erro crasso da desvalorização sob diversos formatos da disciplina de Educação Física), não percebo como os defensores da massificação dos exames nacionais (e esta não é para o Paulo porque já se demarcou desta posição do MEC) não aproveitam precisamente o contributo da disciplina de Educação Física.

Saber como e em que áreas disciplinares mais se desenvolvem e se treinam o auto-controle e auto-disciplina, saber que estas capacidades não se reduzem à sua aplicação em provas de exames e que são treinadas para apetrechar o aluno de forma a saber gerir as situações de stress do seu quotidiano, escolar e não escolar, são saberes básicos que nenhum ministro devia descurar.

Voltando ao equívoco do Paulo: nunca me passou pela cabeça defender a necessidade de obrigar todos os alunos à realização de competições desportivas, só porque aí se revelam as capacidades físicas, volitivas e cognitivas, incluindo aquelas a que o Paulo fez referência.

Não faltarão, certamente, argumentos mais consistentes para defender os exames nacionais, alguns dos quais são desenvolvidos no seu blogue. Mas convenhamos… este argumento, nem ao diabo lembra.