Farinha do mesmo saco

Todos temos consciência de que a generalidade dos alunos, na generalidade das disciplinas, só estuda empenhadamente quando a avaliação a sério. Serão poucos os que investem quando a passagem é «de borla». E só se aprende quando se estuda, ao contrário do que é prometido pelos «especialistas» da educação. (Guilherme Valente)

Este senhor, um defensor do cratês que põe a cabeça no cepo pelo rigor não consegue evidências científicas que atestem que sem exames a sério os alunos não estudam.

De tão avesso ao eduquês (conotado com a pretensa ausência de rigor e de exigência sabe-se lá em quê) acaba por estatelar-se na retórica oca da incoerência, como atesta a inexistência de uma crítica ao ministro pela medida facilitista do governo em ostracizar a disciplina de Educação Física e os seus profissionais.

Diz Guilherme Valente que só se aprende com uma avaliação (e classificação, já agora) a sério. Ora, se as coisas funcionam desse modo, que sinal dá Nuno Crato aos alunos do ensino secundário ao não considerar a classificação de Educação Física na Média do Ens Sec para efeito de Ingresso no Ensino Superior? Que as aprendizagens na Educação Física são inócuas e dispensáveis?

Percebem agora por que razão o eduquês e o cratês são farinha do mesmo saco?

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6 thoughts on “Farinha do mesmo saco

  1. de Barroso 16/06/2012 às 22:24 Reply

    Um texto de Drucker, p. 211, reza o seguinte:
    “Mas na escola tradicional não há praticamente tempo para mais nada. Os produtos de que se pode orgulhar, ‘os alunos de vinte’ , são os que conseguem satisfazer os seus níveis medíocres. Não são os que se sentem realizados, mas os que cumprem.”

    • Miguel Pinto 16/06/2012 às 22:30 Reply

      “Os produtos de que se pode orgulhar, ‘os alunos de vinte’ , são os que conseguem satisfazer os seus níveis medíocres.”
      É caso para dizer que são alunos de vinténs 😉

  2. Rui Ferreira 16/06/2012 às 23:14 Reply

    O conhecimento pedagógico e didático diz-nos que o aluno concentra a sua atenção, as suas energias e interesses, particularmente naquilo que é controlado e avaliado (Bento, 1998).

    • de Barroso 16/06/2012 às 23:44 Reply

      “No ensino japonês, a disciplina na aprendizagem — principalmente, o “inferno do exame” para entrar na universidade — não motiva. Baseado no medo e na pressão, apaga o desejo de continuar a aprender, e é desse desejo que precisamos.
      Nas escola de liberal arts americanas, pelo contrário, aprender é agradável para muitos estudantes. Mas é um simples prazer, sem qualquer disciplina. Confunde-se sentir-se bem com sentir-se realizado e “ser-se estimulado” com disciplina.”

      Alegria e motivação… Voltemos a Aristóteles : Virtus in medium est!
      Pois, trata-se uma virtude.

  3. Maria 17/06/2012 às 21:40 Reply

    Mas que felizes e realizados estão muitos dos profs (que comentam na blogosfera) com o facto da avaliação em EF não contar para a média! Quanto ressentimento manifestado! Nem um aumentozinho de ordenado causava tal satisfação. Será ausencia de proteína na infancia, ou alguma cambalhota mal dada ou será mesmo uma vaga de fundo da sopeirada?

    • Rui Ferreira 17/06/2012 às 22:46 Reply

      A Maria esqueceu os argumentos?

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