Seleção nacional – Um baile de debutantes

Não vou comentar a prestação desportiva da seleção nacional de futebol nos dois últimos jogos de preparação para o europeu. Nem sequer irei evidenciar o modo complacente como a comunicação social trata o selecionador nacional agora que desapareceu de cena o mal-amado Carlos Queiroz. Sei que ficará muito por dizer mas não temos tempo e, honestamente, não me apetece remexer no assunto.

O que me impressiona mesmo é a desvinculação de uma equipa profissional de futebol, que é altamente cotada e experiente mas que denota – este é o paradoxo – laivos de amadorismo. Num momento em que se exige concentração máxima de todos os jogadores, o grupo andou na última semana numa roda-viva de compromissos sociais como se de um baile de debutantes se tratasse.

Este processo autofágico não serve apenas os interesses da indústria do futebol, que não são despicientes face às receitas que gera, mas serve sobretudo para engordar os egos de uma oligarquia de dirigentes que se eternizam nas estruturas associativas.

Receio bem que a subversão dos objetivos de preparação de uma equipa de futebol conduza à autofagia competitiva. É bem provável que as inúmeras variáveis que determinam o sucesso ou insucesso competitivo sejam evocadas à la carte para camuflar a aleivosia, que nenhum interveniente direto se atreverá a confirmar. É pouco provável que alguém morda a mão que lhe dá de comer!

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Adenda: Hoje, Manuel José, o treinador em exercício mais experiente corrobora a minha opinião, aqui.

Por que não emigra?…

“o secretário de Estado reforçou a ideia, em declarações à Lusa: «as áreas sociais são áreas que devem ser o mais descentralizadas possível, no sentido de ficarem mais próximas das pessoas».

Paulo Júlio deu a escola onde hoje esteve como «bom exemplo» da descentralização face ao poder estatal. «Isso já é feito de algum modo neste nível de ensino básico, no primeiro ciclo, mas de forma crescente deve ser reflectida e continuada para outros níveis», disse.

Se esta afirmação não camuflasse a verdadeira intenção de esvaziar o Estado das funções sociais, privatizando-as, até poderia ser considerada uma afirmação ridícula. Então, ajuntam escolas, centralizam a gestão, afastam (fecham) as escolas das pessoas quando consideram que há número insuficiente de alunos (numa lógica de pretensa racionalidade económica) e depois, sem qualquer pejo, difundem que a educação é uma área que deve ser o mais descentralizada possível!?

Estou a precisar de um xanax tinto do Alentejo…