De consciência pesada…

O que fazer com os resultados dessas avaliações? Em primeiro lugar, só faz sentido levar a cabo a avaliação de desempenho dos professores se ela vier para enriquecer a prática docente e, consequentemente, a educação. Fazer da avaliação um fim em si mesma é prejudicial. Neste caso, é melhor não ter avaliação alguma. O objetivo essencial é encorajar a melhoria de professores e escolas. Aqueles que são bons, precisam ser ainda melhores; aqueles que estão aquém do desejado, precisam encontrar suporte para melhorar suas práticas. Em última instância, defendo o afastamento de alguns profissionais que, por uma série de fatores, não podem ser professores. Insistir em ter essas pessoas na sala de aula é prejudicar o desenvolvimento do país.

Alexandre Ventura

Concordo com quase tudo o que Alexandre Ventura defendeu nesta entrevista e deixo-me espantar quando lembro que o secretário da educação do II governo de JSócrates pactuou, sem se demitir, com a farsa em da avaliação de professores.

Ler a entrevista aqui.

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5 thoughts on “De consciência pesada…

  1. ana 19/05/2012 às 23:46 Reply

    “Concordo com quase tudo o que Alexandre Ventura defendeu nesta entrevista…”

    Quero acreditar que o “quase” exclui a sua concordância com frases como esta:

    “Nós, por natureza, gostamos de avaliar os outros, mas quando somos o objeto dessa avaliação reagimos mal e resistimos.”

    Penso que podemos generalizar que nós, professores, por natureza, gostamos de ensinar os alunos, sendo a sua avaliação um mal necessário.
    De acordo?
    Também posso confessar que eu, por natureza, reajo mal e resisto a quem só revela alguma sensatez quando a sua sede de poder não é saciável a curto prazo. Para mim, os Venturas do modelo de ADD que incendiou as escolas perderam o direito de se manifestar na minha língua sobre esta matéria.

    • Miguel Pinto 20/05/2012 às 14:31 Reply

      Olá, Ana.
      A avaliação formativa é fundamental ao desenvolvimento profissional dos professores e nenhum professor resistirá a uma avaliação deste tipo. Quando evocamos a resistência dos professores à avaliação estamos a pensar, eu estou a pensar, na avaliação normativa, na avaliação que hierarquiza os professores segundo um determinado padrão de desempenho (esse sim, muito discutível e, no caso do padrão de desempenho utilizado no modelo da MLRodrigues, susceptível de legitimar grandes injustiças).

      Confesso que é difícil separar o trigo do joio: é difícil separar a ideia do sujeito que a defende. Não escondo a minha aversão por políticos da espécie de JSócrates e de MLRodrigues. Não tanto pela imagem dos figurantes (que, por motivos antagónicos, nunca apreciei) ou outros aspetos subjetivos mas, e sobretudo, pelas políticas que estes atores implementaram e que aceleraram o descalabro do país. Ventura, foi conivente com essas políticas e dessa responsabilidade não se livra. Mas gostei de o ver defender que:
      “só faz sentido levar a cabo a avaliação de desempenho dos professores se ela vier para enriquecer a prática docente e, consequentemente, a educação. Fazer da avaliação um fim em si mesma é prejudicial. Neste caso, é melhor não ter avaliação alguma.”
      “O aspecto essencial é que ela (a avaliação) seja justa e eficaz. É preciso transparência nos objetivos para que isso desperte confiança por parte dos professores. É preciso também que ela não se baseie em um único aspecto do desempenho do professor. Isso costuma ser tentador para muitas escolas: avaliar apenas o plano de aula dos docentes ou apenas a maneira como eles se portam na sala de aula. Isso só não basta. Por outro lado, corre-se o risco de avaliar muitas coisas e, ao final das contas, não se avaliar nada.”
      “É extremamente perigoso estabelecer uma relação direta entre o resultado dos alunos e a qualidade dos professores.”

      Fica bem. 🙂

      • ana 20/05/2012 às 21:41 Reply

        Francamente! Respondi fora do sítio (abaixo).
        Coisas da idade… [estou sem óculos de ver ao perto, num instrumento minúsculo!!! 😦 ]

  2. ana 20/05/2012 às 21:35 Reply

    Julgo que percebi à primeira (perdoe a presunção!) o que Ventura (agora?) defende e que mereceu a aprovação do Miguel.
    Concordo plenamente e posso até adiantar que, como coordenadora de departamento, promovo uma tentativa de avaliação formativa entre pares (sem burocracia e sem classificação, é verdade, mas muito enriquecedora), tendo começado por dar aula com o acompanhamento de colegas e tendo sido convidada por eles a fazer o mesmo. Tem sido giro e temos aprendido muito. Conversamos imenso sobre os tiques de cada um, copiamos estratégias e já nos damos conta de que, por vezes, nos imitamos naquilo que nos causou maior agrado/surpresa no outro. Claro que a convivência há décadas facilitou, aliás, propiciou a confiança, ou vice-versa.
    No entanto, e já depois desta prática partilhada por quem quis aderir (vários!), ninguém quis candidatar-se à excelência, requerendo observação de aulas, por discordar do modelo de ADD aplicado. Significativo, não é?
    O que eu também tenho é uma intolerância tremenda para com estes demagogos como o Ventura que, pelos vistos, se “prostituem” pelo poder, dando a cara por algo que até sabem estar errado.
    Obrigada pela sua paciência em responder e, já agora, os meus parabéns pelo seu blogue, que consulto regularmente, com prazer. Não comento muito por… timidez! 🙂 [onde é que eu já li isto?!?]

    • Miguel Pinto 20/05/2012 às 22:11 Reply

      Obrigado pela presença e pelo comentário, Ana.

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