Haja luz!

Há algum tempo que não compro jornais. Há já algum tempo que deixei de contribuir com a minha guita para a farsa em que se transformou a imprensa publicada, salvo as raras exceções em que adquiro um jornal depois de bem conferido o seu conteúdo na banca. Sinto nojo daquele jornalismo servil do statu quo que se encrosta ao poder, pouco importa se o faz para sobreviver ou se o faz para crescer. Por isso vou acompanhando as últimas notícias pela net e os artigos de opinião que valem a pena acabam por ser divulgados na blogosfera, porque os bloggers não dormem…

Hoje li no Aventar um excerto de um texto que merece ser divulgado na blogosfera. É admirável ver um político profissional compreender o óbvio.

Fala Pacheco

Publicado a 28/04/2012 por João José Cardoso

“Quando ouço falar do “festim do crédito”, quem é que é responsável pelo “festim”? Quem deu a festa para recolher lucros, ou participou nela para ter vida mais fácil? A resposta justa é: pelo menos os dois. A injustiça da resposta é que só um aparece como “culpado” do “festim”, e só um lhe paga os custos. E se falarmos mesmo dos muitos milhares de milhões que constituem a dívida nacional, que hoje é apontada como um fardo moral para os pobres que “viveram acima das suas posses”, com esse plural majestático do “nós”, em “nós vivemos acima das nossas posses”, eles não foram certamente para o bolso das pessoas comuns que hoje lhes pagam o custo. Não foram os pobres, nem os funcionários públicos, nem a classe média baixa que fez as PPP. O discurso do poder é todo feito para culpabilizar os de baixo, enquanto quase pede desculpa para moderar um pouco os de cima. A resposta dos de baixo é uma rasoira populista e igualitária, que também não promete nada de bom para o futuro.

Há uns imbecis que dizem que falar assim é falar como o Bloco de Esquerda. Não, falar assim é falar como deveriam falar todos aqueles que não vêem a realidade com os olhos do poder e das ideias da moda, e que se esforçam por perceber o sentido último da política em democracia: as pessoas só têm uma vida, e, estragada essa vida, não há outra. É laica a política em democracia, vive da vida terrestre não da vida celeste. E se isso não é a pulsão da política em democracia, o bem comum e concreto das pessoas, então a democracia não sobrevive. Não tenho feitio para Catão, e tudo o que aqui é dito é mais que moderado e devia ser, se não andássemos todos virados para as explicações simplistas e para os slogans dicotómicos dos blogues, sensato. Aliás, a grande traição do PSD, do PS e do CDS é terem deitado fora, ofuscados pelo poder, todas as raízes humanistas, sociais, liberais, e cristãs, do seu pensamento e, pior ainda, do seu “sentimento”.

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