Só para tipos com boa inteligência linguística ;o))

Era expectável que Nuno Crato, ministro, fosse capaz de justificar as opções políticas com o rigor que Nuno Crato, comentador, apregoou. Foi anunciada uma reorganização curricular e apresentada uma proposta pelo governo. O ministro justifica a alteração curricular alegando a necessidade de centrar aprendizagens nos conteúdos essenciais. Basta observar o quadro curricular e a distribuição da carga horária para se inferir a lógica que lhe subjaz: se considerarmos que o tempo adstrito a cada disciplina é uma demonstração do seu estatuto, o reforço da carga horária das disciplinas de Português e Matemática e a redução da carga horária das disciplinas de Educação Visual e de Educação Tecnológica são sinais inequívocos de uma ideia, a meu ver, preconceituosa de inteligência que urge combater. Mesmo que nos atrevêssemos a ordenar as inteligências que são estimuladas na escola, usando como critério uma característica subjectiva que lhes concedesse uma superioridade face às restantes inteligências, ficava por demonstrar que uma disciplina escolar tem o exclusivo do desenvolvimento de uma dada inteligência. E isto não invalida o facto de existirem disciplinas escolares cujos conteúdos constituem estimulantes especiais para determinadas inteligências. Ora, para quem tem como missão garantir o respeito do espírito da Lei de Bases do Sistema Educativo (que vê o aluno como um sujeito integral e multifacetado) impedir o acesso a determinadas disciplinas e conteúdos é uma iniquidade que importa desmistificar.

Se Nuno Crato pretende encontrar um critério para eliminar disciplinas redundantes, é a montante dos conteúdos que deve buscar esse critério. Não pode olhar para o conhecimento mais ou menos instantâneo que essas disciplinas produzem, mas antes deve pensar no tipo de inteligências que esses conteúdos estimulam.

Fui claro? Não?!