Só para tipos com boa inteligência lógico-matemática…

No 2º ciclo, as áreas não disciplinares ocupam 18% do tempo lectivo. Em comparação com outros países, Portugal “é o campeão da dispersão curricular”, frisou Nuno Crato.
As áreas não curriculares vão desaparecer das escolas a partir do próximo ano lectivo na sequência da nova estrutura curricular propostas pelo Ministério. O objectivo, repetiu Crato, é o de centrar aprendizagens nos conteúdos essenciais
.

Há muito que defendo a eliminação das áreas não curriculares, assim como defendi em tempos a eliminação da área escola. Estes abortos pedagógicos, que não se confundem com a atividade desenvolvida nos clubes escolares (devidamente regulamentados e de frequência facultativa), não têm qualquer cabimento na minha concepção de escola pluridimensional ou cultural.

Por razões bem diversas, concordei com o ministro da educação quando este decidiu remover do currículo as áreas não curriculares. Mas discordo de qualquer redução curricular que se faça desdenhando a teoria das múltiplas inteligências de Gardner. Quando o ministro considera que tem o objetivo de centrar aprendizagens nos conteúdos essenciais, refere-se aos conteúdos essenciais que estimulam uma determinada inteligência.

Fui claro?… Não?!…

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Errata: Onde se lê “áreas não curriculares” deve ler-se “áreas curriculares não disciplinares”

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6 thoughts on “Só para tipos com boa inteligência lógico-matemática…

  1. Mister D. 11/01/2012 às 00:19 Reply

    Claríssimo.No que diz respeito a tudo isto o MEc acabou com o que era menos mau e deixou o resto do entulho….

  2. de Barroso 11/01/2012 às 01:02 Reply

    Julgo que não. Não, não foste claro.

    • Miguel Pinto 11/01/2012 às 20:17 Reply

      ok,ok.. de Barroso… vou procurar dizer o mesmo apelando a outro tipo de inteligência 😉
      Abraço.

      • de Barroso 12/01/2012 às 11:01 Reply

        Falemos sem equívocos.
        Não percebo o poder justificativo da referência à teoria das inteligências múltiplas para defender o seu ponto de vista. Segundo essa teoria podemos defender um ponto de vista muito diverso do que aquele aqui apresenta. Tenho alguma dificuldade em associar o desenvolvimento das inteligências a uma relação de causa e efeito com o trabalho didáctico de disciplinas específicas, homogéneas e compartimentadas por saberes formalmente delimitados, com fronteiras muito precisas.
        Depois há um outro aspecto que o IC em baixo destaca. Afirmações deste tipo abonam pouco a favor do profissionalismo dos docentes. O que se ouve por aí remete para o facto de que as disciplinas não interessavam porque: 1) o ME não apresentava um currículo e 2) sem currículo os professores parece que não saberiam muito o que fazer com elas. Esta imagem é má.
        Como professor, devo ser capaz de promover aprendizagens seguras e significativas nos contextos que se me oferecem, sejam as aulas das disciplinas formais, com currículos muito bem arrumadinhos, quer em áreas não disciplinares orientando-as para o desenvolvimento das competências determinadas pelo PE. Sim, bem sei, o PE é um doc sem qualquer valor….
        Concordo que, por exemplo a AP estava a mais, apenas e só porque se pode perfeitamente ensinar segundo uma metodologia de projecto. tornando a disciplina redundante. Mas isso não está ditado nas circulares do ME… Pois!
        Não estou a dizer que contesto as medidas do MEC, apenas me parecem medidas feitas a pedido, inseridas numa determinada configuração e justificadas por um certo contexto eque pedem em si mesmo, na sua frontaria, que também as alterem a breve prazo. O problema do ensino fica bem resguardado, parece tabú! Só isso
        Por esta razão não me pareceu claro!

  3. IC 12/01/2012 às 01:34 Reply

    Miguel, o mérito ou o demérito das áreas não curriculares não estava nelas mesmas, mas sim no que os professores faziam ou não faziam com elas. Infelizmente, em muito grande número de casos, não estavam a servir para nada, mas não se deve ignorar as “coisas” excelentes que alguns professores (muitos, ainda que não a maioria) faziam com elas, proporcionando aos seus alunos experiências muito marcantes na sua formação. Falo com algum conhecimento disso. E ao menos a Formação Cívica não deveria ser retirada, mas sim dar preparação aos professores para ela.
    Quanto aos clubes, cada vez haverá menos condições para eles e, como dizes, são de inscrição voluntária, contemplando pequena percentagem de alunos

  4. […] com elas, proporcionando aos seus alunos experiências muito marcantes na sua formação.” (IC, comentou […]

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