Currículo nacional falacioso…

O currículo nacional não deve ser, não pode ser, determinado por uma elite, ela própria subordinada a um conjunto de interesses económicos e financeiros que procuram defender o statu quo.

O currículo concretiza um plano cultural nacional a ser executado pela escola. Será um esforço inglório qualquer tentativa de determinar um projeto nacional para o sistema educativo sem um elevado consenso nacional, por duas razões fundamentais:

  1. Porque um projeto educativo nacional é um projeto de médio e de longo prazo e nenhum partido político pode garantir a manutenção desse plano para lá do seu mandato.
  2. Porque de um currículo nacional subjaz uma conceção de homem e uma conceção do mundo. Nenhum partido político, num sistema democrático, tem legitimidade para representar esse ideal humano.

Nuno Crato é, de facto, um ministro muito… crente!

Pensamentos avulsos, nada desconexos, sobre a alteração curricular.

1. Não é nada pacífico o processo pelo qual uma determinada elite procura impor o conhecimento que a sociedade deve interiorizar como oficial. A Escola é uma via e o currículo é o instrumento utilizado por essa elite para impor o conhecimento.

2. Observando a proposta do governo para a reorganização curricular percebe-se um grande peso ideológico no modo como são distribuídas as cargas horárias das diferentes disciplinas escolares. A conceção reducionista da educação, obcecada pelas exigências do mercado, acaba por afetar o desenho curricular conquistando preponderância as disciplinas que presumivelmente servem os interesses dessa elite conservadora.

3. Os professores têm sido renegados sistematicamente pela tutela na discussão sobre a configuração do desenho curricular . Percebe-se a hegemonia da conceção neo taylorista de escola. Os professores surgem no “lugar do morto” na discussão entre o governo e os diretores. Seguem (n)a viagem mas não têm qualquer intervenção na condução do processo.

4. É bem provável que se relevem valores perversos nas aulas, como o individualismo, o classismo, o egoísmo, a rivalidade,…