Os diretores escolares querem sol na eira e chuva no nabal

O colega Adalmiro, Pres. Assoc. Nac. de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, admitiu ao Correio da Manhã a sua desilusão pelo modo como os diretores têm sido tratados pela tutela. Serei excessivo se universalizar o gozo e a jactância que sentiram muitos diretores pela promoção artificial que resultou do fim do 115/A. O abandono da colegialidade na direção escolar e a concentração de poder(es) no diretor criou essa sensação falaciosa de poder, porque a tutela nunca abdicou do controlo das escolas usando inúmeras ferramentas de prestação de contas que coartam a ação dos diretores. A intenção da ministra era óbvia: queria desacreditar o movimento sindical porque sempre preferiu representantes de professores mais amigáveis e subservientes. Excetuando algumas manifestações de solidariedade, muito situadas e avulsas, alguns diretores quiseram passar pelos intervalos da chuva sem molho. E não faltaram oportunidades para tomadas de posição solidárias dos diretores no leque de reivindicações que fizeram a agenda da luta dos professores. Só para nos situarmos, recordo o modo como os diretores se posicionaram (por ação ou por omissão) na constituição do conselho geral transitório nos primórdios do 75/2008. Podia evocar posição tíbias no concurso dos titulares e no processo de avaliação de desempenho, mas seria fastidioso.

Enfim, o colega Adalmiro não deixa de ser enternecedor. Se não gosta de ser um funcionário administrativo travestido de diretor, presumo que o seu calvário não terá fim se regressar às salas de aula no próximo ano letivo, porque será um manga-de-alpaca camuflado de professor. Percebo a sua desilusão. Só não percebo é a afirmação de que “Os directores têm de ter intervenção na política educativa, (porque) ninguém sabe mais de escolas do que nós.” Não quero crer que o Adalmiro pensa que um dia, quando regressar à sala de aula, ficará oco. Deixará de saber de escolas!? Terá de se reduzir à sua insignificância política só porque entrou numa espécie de bunker!? Por que será que o diretor Adalmiro renega ao professor Adalmiro o exercício pleno da função do professor? Será que se trata apenas de um problema existencial ou é um sinal da necessidade de limitar os mandatos aos titulares de órgãos de gestão?

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2 thoughts on “Os diretores escolares querem sol na eira e chuva no nabal

  1. citizen 03/01/2012 às 21:30 Reply

    A Ordem Criminosa do Mundo / El Orden Criminal del Mundo (TVE)

    é comprido mas garanto que merece ser visto e ouvido.

  2. […] jQuery("#errors*").hide(); window.location= data.themeInternalUrl; } }); } olhardomiguel.wordpress.com – Today, 4:06 […]

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