Revisão da estrutura curricular – Prevaleceu a lógica política imediatista.

Como se lê no documento divulgado ao fim da tarde, O Ministério da Educação e Ciência apresenta a revisão curricular, dando assim início a um período de consulta pública. Desconheço se foi apresentada a metodologia do processo de consulta e a respetiva calendarização. Para que este retalho de reforma se substantifique é necessário que a consulta pública não passe de uma mera operação de cosmética política só para pacóvio ler na imprensa. Emerge daqui a minha primeira questão:

Como se irá mobilizar o País para a educação?

Pelo modo segregacionista como se trataram as organizações sindicais, a questão parece ter encontrado já resposta.

Há, no entanto, outras questões que me ocupam mais o pensamento e que remetem para as lógicas políticas que subjazem a transformações profundas na educação. O documento apresentado reflete uma lógica política imediatista, de curto prazo. Ora, não basta prometer que “a etapa de revisão da estrutura curricular que agora se inicia abre caminho a reformas curriculares mais profundas que permitirão melhorar significativamente o ensino das disciplinas fundamentais.” Importa aclarar:

Que reformas profundas são essas? Quais as condições de sucesso de uma reforma tecnocrática e de que modo este tipo de reforma serve os interesses do desenvolvimento integral do homem? Está já anunciada uma mudança na Lei de Bases do Sistema Educativo? Será que essa alteração vai fazer tábua rasa das condicionantes e das dificuldades encontradas em 86?

Por último, não posso ficar indiferente à manifesta ingenuidade deste MEC que julga ser possível atingir resultados qualitativos na educação por decreto, sem envolver os professores, agentes centrais de qualquer mudança no sistema de ensino. Foi insensato abrir este capítulo ignorando a escola situada.

Nuno Crato parece não ter aprendido nada com o passado recente!…

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3 thoughts on “Revisão da estrutura curricular – Prevaleceu a lógica política imediatista.

  1. IC 13/12/2011 às 01:04 Reply

    Ando muito ocupada, o meu comentário no meu cantinho ficará para mais tarde, pelo que desculpa ocupar o teu espaço com breves notas demasiado em cima da leitura da proposta, deixando de lado o óbvio: economicismo, montes de professores para o desemprego.
    . Por que raio a comunicação social anuncia a obrigatoriedade do Inglês desde o 2º Ciclo? Não era já? O que vai ao ar é o Inglês no 1º Ciclo
    – Reforçar o ensino experimental acabando com os desdobramentos de turmas? “Experimental” com turmas enormes? !
    – Apoio ao estudo em vez de disciplina de EA? Nada a obstar se não houvesse uma ambiguidade preocupante, pois pareceu-me que isso pode ficar ao critério/meios de oferta de cada escola
    – O que está por trás (algo para mim ainda não claro, mas duvido que não sejam “contas”) da mudança da ideia anterior dita por NC de que a História e Geografia não eram estruturantes e podiam ser reduzidas para agora afinal aumentarem a carga horária?
    – Pareceu-me que se volta ao disparate impensável percebido anteriormente e corrigido de deixar de haver duas disciplinas de opção no 12º ano (duas opções imprescindíveis para determinados cursos)
    – EV com um só professor: não falando, como já disse, no economicismo, como é que esse senhor NC se atreve a esta proposta (EV, disciplinas experimentais,…) sem nada saber do que é o ensino não superior, além de prescindir de discussão/negociação com as organizações representativas dos professores, o que é o mesmo que não os ouvir pois essa colocação à discussão pública é demagógica – como é que os principai – os professores – vão participar na dita discussão? (É verdade que podiam se os CP mandassem pareceres, mas já sabemos que infelizmente muito poucos se mexerão para tomar essa iniciativa e, se a tomarem, serão movidos só pelo espectro do desemprego – bom será que esteja enganada -, e NC também conta com essa realidade)

  2. de Barroso 13/12/2011 às 18:17 Reply

    IC
    Há nomes que se usam em função do contexto. Dizer reforma curricular é importante para alimentar uma certa “inteligência” que espera em pulgas que “escaceirem” a educação. A verdade é que seria muito chata: não convém dizer o nome do autor da dita reforma: um tal Gaspar. Percebes agora a razão pela qual os professores não foram ouvidos? Não havia (não há) nada de curricular nesta reforma a discutir…

  3. de Barroso 13/12/2011 às 18:17 Reply

    “escaqueirem”

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