Revisão da estrutura curricular – Prevaleceu a lógica política imediatista.

Como se lê no documento divulgado ao fim da tarde, O Ministério da Educação e Ciência apresenta a revisão curricular, dando assim início a um período de consulta pública. Desconheço se foi apresentada a metodologia do processo de consulta e a respetiva calendarização. Para que este retalho de reforma se substantifique é necessário que a consulta pública não passe de uma mera operação de cosmética política só para pacóvio ler na imprensa. Emerge daqui a minha primeira questão:

Como se irá mobilizar o País para a educação?

Pelo modo segregacionista como se trataram as organizações sindicais, a questão parece ter encontrado já resposta.

Há, no entanto, outras questões que me ocupam mais o pensamento e que remetem para as lógicas políticas que subjazem a transformações profundas na educação. O documento apresentado reflete uma lógica política imediatista, de curto prazo. Ora, não basta prometer que “a etapa de revisão da estrutura curricular que agora se inicia abre caminho a reformas curriculares mais profundas que permitirão melhorar significativamente o ensino das disciplinas fundamentais.” Importa aclarar:

Que reformas profundas são essas? Quais as condições de sucesso de uma reforma tecnocrática e de que modo este tipo de reforma serve os interesses do desenvolvimento integral do homem? Está já anunciada uma mudança na Lei de Bases do Sistema Educativo? Será que essa alteração vai fazer tábua rasa das condicionantes e das dificuldades encontradas em 86?

Por último, não posso ficar indiferente à manifesta ingenuidade deste MEC que julga ser possível atingir resultados qualitativos na educação por decreto, sem envolver os professores, agentes centrais de qualquer mudança no sistema de ensino. Foi insensato abrir este capítulo ignorando a escola situada.

Nuno Crato parece não ter aprendido nada com o passado recente!…