Como se “implode” este Estado?

O caminho para o mercado da educação está a ser desbravado! A avaliação das escolas e a promoção da competição entre escolas são mecanismos que dão destaque à eficiência e à competência empresarial. A conjugação dos mecanismos de mercado na educação e as lógicas uniformizadoras que estão subjacentes à redução do currículo e à sobrevalorização das “disciplinas estruturantes” acabam por reproduzir as hierarquias tradicionais de classe social. As crianças “bem dotadas” e que “andam rápido” academicamente, porque encontram no “caldo familiar” os nutrientes culturais que estão plasmados nos currículos, são consideradas mais capazes e mais “atraentes” para as escolas que, face aos mecanismos de concorrência e de liberdade de escolha, passam a selecionar os alunos que lhes garantem os melhores resultados.

Sob o pretexto da crise e da necessidade de se reduzirem os custos com o serviço educacional, são promovidos instrumentos promotores de desigualdades no acesso e no sucesso de crianças e jovens de grupos económicos não dominantes. É neste sentido que eu considero que o Estado terá uma crise de legitimidade, porque “usará” o ensino para expandir as “castas” económicas dominantes transformando-o num processo comercial, não educacional. O Estado, que a maioria partidária que nos governa deseja, é um Estado sectário e elitista. Se a ideia é criar um anátema generalizado sobre o Estado, por outras razões ideológicas, parabéns, estão no bom caminho. De facto, um Estado destes é abominável! É um Estado “fraco”!

Quem é que não deseja “implodir” este Estado?

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PS: A entrevista de Nuno Crato ao jornal Público, amanhã, trará mais algumas peças ao puzzle que acabo de descrever.

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One thought on “Como se “implode” este Estado?

  1. Henrique Santos 30/10/2011 às 18:35 Reply

    De facto há uma agenda que não está toda à mostra, pois não convém, de destruição do Estado Social. Para eles há um estado que interessa manter e que é o estado como instrumento de dominação. Esse estado forte se for preciso usará a coerção e a repressão, quando os mecanismos da “fabricação do consentimento” (Chomski) começarem a não funcionar.

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