Demagogia barata

PPCoelho é um clone político de José Sócrates. Se dúvidas houvesse sobre a sua capacidade de mistificar a realidade, a justificação que deu ao país sobre a discriminação dos funcionários públicos no conjunto das medidas de austeridade é demonstrativa das suas parecenças com o seu antecessor.

O primeiro-ministro justificou hoje a eliminação dos subsídios de Natal e de férias apenas na função pública, até 2013, pelo facto da média salarial ser superior à que se regista no setor privado.”

Como? Será capaz de o demonstrar?

É evidente que não pode demonstrar que os licenciados e quadros superiores da administração pública são melhor remunerados do que os trabalhadores do privado com habilitações académicas equiparadas.

Desengane-se quem ainda pensa que o período da farsa acabou…

Fiabilidade dos resultados ou faço-de-conta que desconheço?

Declaração de interesses: Não tenho qualquer preconceito contra a iniciativa privada ou contra a oferta privada na educação. Fiz o 1º ciclo do EB numa escola pública; já no período pós-revolucionário realizei o 3º ciclo e o secundário numa escola privada, com contrato de associação, beneficiando da proximidade da minha residência; fiz a licenciatura e o mestrado numa universidade pública.

Sou professor em exclusividade (que, ao contrário da classe médica, não garante nenhum acrescento no salário) numa escola pública e, durante um ano lectivo, em meados da década de 90, trabalhei em regime de acumulação numa escola privada com contrato de associação.

Nada me move contra as escolas privadas!

Os rankings são construções mentais falaciosas que podem servir de pretexto para muita coisa, designadamente, a promoção dos mercados educativos, mas pouco ou nada esclarecem sobre a instituição. Se há medida que urge tomar no ME, e que devia ser defendida por todos, especialmente, os econometristas do sucesso (como muito bem os designou Santana Castilho), era um pedido de inspecção a todos os estabelecimentos de ensino colocados nos primeiros lugares dos rankings.

Se valorizam tanto o mercado educativo, os arautos neoliberiais da nossa praça deviam pugnar pela transparência e reclamar que, pelo menos durante um ano lectivo, a IGE enviasse equipas residentes para os estabelecimentos de ensino de forma a aferir as circunstâncias que determinam o sucesso dos seus alunos em exames nacionais. A presença de equipas da IGE no terreno dissuadiria os prevaricadores e aclararia o “modus operandi” do sucesso. É bem provável que houvesse algumas surpresas. E estou mesmo convencido que aqueles que agora embandeiram em arco pelo modo como as “privadas” chegaram ao topo da classificação seriam bem menos contidos na exaltação no próximo ano.