Co-educação=mais autonomia

«Se pudermos inculcar na criança alguns sonhos, uma certa recusa da vulgaridade, do inumano, da enorme decepção, então temos uma hipótese de ganhar a batalha. É nos primeiros anos do secundário que se joga o drama mais complexo, que é o de fazer crer à criança que há sonhos, eventuais transcendências possíveis. O horror do nosso ensino, da sua falsa realidade – um realismo brutal e falso – é minorar os sonhos da criança. Em vez de fazer mais do que a criança compreende, é sempre preciso ir um pouco mais longe, é preciso que a criança estenda o braço e a mão para tentar apanhar a bola, mesmo que isso a ultrapasse. A grande alegria só começa quando se diz: «Ainda não compreendi, mas vou compreender. Ainda não desfrutei disso, mas vou desfrutar.»

Ao nivelar, ao fazer uma falsa democracia da mediocridade, mata-se na criança a possibilidade de ultrapassar os seus limites sociais, domésticos, pessoais e até físicos. (G. Steiner)

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3 thoughts on “Co-educação=mais autonomia

  1. Henrique Santos 05/10/2011 às 00:26 Reply

    Miguel, no dia do professor, trago-te uma citação, parecida em grande parte com a do teu autor citado, de um grande da pedagogia que nos deixou há dias, Georges Snyders:
    “Quanto mais os alunos enfrentam dificuldades – de ordem física e econômica – mais a Escola
    deve ser um local que lhes traga outras coisas. Essa alegria não pode ser uma alegria que os
    desvie da luta, mas eles precisam ter o estímulo do prazer. A alegria deve ser prioridade para
    aqueles que sofrem mais fora da Escola.
    Sei que é um pouco utópico, mas de vez em quando é necessário sonhar. Estou aposentado e
    sei que sonho; mas o mundo precisa, de tempos em tempos, de pessoas sonhadoras.”
    http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_11_p159-164_c.pdf
    Já a deixei tb no “Memórias soltas” da IC.

    • Miguel Pinto 05/10/2011 às 00:30 Reply

      Estamos cada vez mais necessitados de utopias, Henrique. Há que preencher esse vazio sob pena de definharmos sem norte. Abraço.

      • de Barroso 05/10/2011 às 10:38 Reply

        Um dos ideólogos do pensamento conservador, Roger Scruton, dedica um capítulo, o quarto, do seu recente livro a desfazer a “falácia utópica”.

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