Desemprego docente – Vá para fora, cá dentro!

O assunto do dia é, incontornavelmente, a profissão docente. Ontem foram divulgadas as listas de colocação de professores contratados (relembro que neste momento os professores são todos contratados por alteração do vínculo jurídico-funcional) e hoje são avaliadas as projecções que se fizeram sobre o assunto.

Há algum tempo que os sindicatos alertavam para a situação e o próprio governo avisara que o desemprego docente iria aumentar relativamente ao ano transacto, como se veio a confirmar.

O que não deixa de ser no mínimo curiosa é a leitura que alguns bloggers fizeram sobre a postura dos sindicatos, tratando-os como agências de sondagens. Parecia que o que estava em jogo era o acerto ou desacerto das projecções dos sindicatos, como se a credibilização destas organizações de classe dependesse da margem do erro. Porém, é inglório o esforço evidente de fazer passar o ónus do desemprego para os sindicatos encobrindo a responsabilidade efectiva do governo, que é o único responsável pelo emprego ou desemprego docente nas escolas públicas.

Sobre a questão do desemprego docente propriamente dita, encontro duas linhas de análise que geram resultados substancialmente diferentes. As duas partem do princípio de que os professores já viveram tempos mais difíceis e que a precariedade laboral pode não ser o fim de linha para ninguém. A busca de outras oportunidades de emprego fora do país é a solução que o Ramiro preconiza aqui. Não sendo uma solução nova, porque nos faz lembrar um Portugal velho que remetia para a emigração a esperança perdida intra-muros, não é despicienda de sentido num mundo cada vez mais global. A contrapor esta ideia de que o país não tem solução e, em particular, a degradação das condições de vida dos professores é irreversível e que o melhor é buscar lá fora o que não se encontra cá dentro, a Isabel Campeão tem evocado nas suas memórias, não só nas caixas de comentários aqui neste cantinho como no seu blogue, uma outra saída para o problema. Os direitos dos professores não caíram do céu, não foram oferecidos pela tutela, foram conquistados pelos professores e pelos seus sindicatos. Os direitos laborais são dinâmicos e do mesmo modo que se dissipam pela retracção da luta colectiva também podem ser recuperados ou pelo menos estancados com a acção efectiva.

Enquanto a primeira linha de análise/acção remete para o conformismo nas relações entre os sujeitos e o Estado, a segunda linha de análise/acção remete para a participação dos sujeitos na definição desse Estado. Mais do que procurar uma solução para o problema individual, importa relembrar que os são os sujeitos que fazem os Estados.

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2 thoughts on “Desemprego docente – Vá para fora, cá dentro!

  1. Fernanda 01/09/2011 às 22:38 Reply

    Acontece o que refere no 3º parágrafo – de repente, tenta-se “apagar” a responsabilidade do governo na situação em análise e chuta-se para canto, para disfarçar o incómodo e o mal-estar pessoais. Pega-se então no “afinal não houve tanto professor desempregado como se dizia”. E debitam-se posts sobre o assunto.

    Um mimo!
    Já não nos bastava a comunicação social e os comentadores do costume.

  2. IC 03/09/2011 às 01:45 Reply

    Miguel, este teu post já tem outros depois, mas vim aqui deixar-te uma sugestão muito interessante do blogue do Octávio Gonçalves (recebi no mail via facebook) – http://octaviovgoncalves.blogspot.com/2011_09_01_archive.html , post “O desemprego docente – uma reacção ao retardador” (não consigo o link directo). Como comentei, acho que é ideia que não pode ser proposta pelas direcções sindicais, mas que teria grande impacto, isso teria!

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