Nova(?) ADD – reescrita em “cratês”.

ADD_29_AgEm primeiro lugar há que reconhecer que, embora sem perder a incongruência interna porque não pode cumprir a função para a qual foi desenhado, este “modelito” está melhor do que a versão anterior. A inclusão dos docentes dos dois últimos escalões no processo avaliativo (e não discuto aqui a questão da qualidade, ou melhor, da falta de qualidade latente) foi uma boa decisão e a não contabilização da ADD para efeitos de concurso para os contratados (embora a solução encontrada tenha o despoletado outro problema, como exporei mais à frente) é uma medida acertada porque diminui a perversidade dos concursos.

Mas à medida que o ME aligeira as novas versões do “modelito”, ganha força a tese de que a ADD não é um problema de aferição do desempenho docente e de melhoria do desenvolvimento profissional. Para o MEC, a ADD é exclusivamente um instrumento de contracção da progressão na carreira.

Como o Governo não quer reconhecer esta evidência, insiste em remendar o “modelito” porque presume obter proveitos políticos com um acordo alcançado com qualquer sindicato.

Face às propostas de alteração apresentadas pela FENPROF e pela FNE (sei que houve mais contributos de outras organizações sindicais, mas só li as 2 propostas) houve o cuidado de limar as arestas mais toscas, designadamente, a dispensa dos docentes dos dois últimos escalões (Art. 20º) e a clarificação do perfil dos avaliadores externos (Art. 13º). Como é evidente, o problema continua por resolver porque os avaliadores internos podem ser de outro grupo de recrutamento se o coordenador do departamento não puder designar outro avaliador e tiver ele próprio de assumir essa competência (Art. 14º). A dispensa dos contratados da observação de aulas cavou ainda mais o buraco do rigor, ou da falta dele (Art. 18º). Se se reconhecem benefícios da observação de aulas no desenvolvimento profissional, como justificar este impedimento?

Estou convencido de que o MEC decidiu, voluntariamente, deixar alguns rabos-de-palha para a próxima ronda negocial, designadamente, a obrigatoriedade de observação de aulas aos docentes integrados no 2º e 4º escalão da carreira.

E pouco mais há a acrescentar a não ser reforçar a evidência de que este documento foi escrito em cratês, puro e duro. Quero com isto dizer que o rigor, que devia impregnar todo o documento, é uma falácia desvirtuada de sentido.

6 thoughts on “Nova(?) ADD – reescrita em “cratês”.

  1. Porque é que os professores mais velhos deixaram de estar isentos da ADD após a reunião dos sindicatos (FNE e FENPROF) com o Ministro. Consta que o Nogueira quer que sejam avaliados.

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  2. Não se trata de qualificar os sindicatados. Se quisermos ser justos tiveram, têm e terão certamente um papel importante e decisivo. Sem eles estariamos seguramente muito pior. Porém, as clientelas e tal… têm levado a muito asneiredo e o que aqui refiro é um facto, não se trata de uma interpretação: O Ministro queria isentar os mais velhos e, de acordo com o jornal i, a Fenprof prefere que seja avaliados. A questão é: porquê? Suponho que por influência de directores, que não querem ninguém livre da canga.

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  3. Todos os professores devem ter o direito a uma avaliação que promova a melhoria da sua actividade, Maria. Os mais velhos e os mais novos. Todos! Não percebo esta história da isenção. Claro que o meu ponto de partida é que a ADD deve servir para o desenvolvimento profissional. Mas julgo perceber a tua pergunta: se esta ADD é uma farsa, por que carga de água os sindicatos querem ser mais papistas que o papa? A solução mais justa passaria por solicitar a isenção de todos os professores… ou não?

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  4. Em relação aos avaliadores internos, em especial os coordenadores, que critérios para a sua designação? Continuamos com colegas coordenadores do 4.º escalão (sem formação especializada) a avaliar os que estão colocados no 8.º e 9.º (e com formação especializada)? Ou os critérios previstos para os avaliadores externos também se aplicarão aos avaliadores internos e à designação dos coordenadores de departamento?

    Obrigado

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    1. Os coordenadores não podendo designar avaliadores (por não reunirem condições) assumem eles próprios essa função. Assim, e permitam-me destacar o meu caso pessoal, teremos o coordenador do grupo de Educação Visual a avaliar um professor de Educação Física.
      Fantástico!… O modelo de Maria de Lurdes Rodrigues continua viçoso! 8)

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