Separar a ADD da progressão na carreira

modelito

(Imagem do Antero)

A competição (evito usar uma terminologia bélica) geracional de professores, fomentada por Maria de Lurdes Rodrigues através da criação dessa figura sinistra a que designou de “titulares”, não faz qualquer sentido sob todos os pontos de vista onde subjaz o trabalho cooperativo. Só uma tecnocrata, ou uma mente iluminada por uma corrente taylorista, seria capaz de pensar que é possível elevar a qualidade do serviço educativo colocando os professores em competição. Desapareceram os titulares, surgiram os relatores, e agora é relançada a discussão com o fenómeno das isenções deste “modelito” (expressão muito feliz do Antero) proposto por Nuno Crato.

Como só nas situações de stress é que as pessoas se revelam, as duas primeiras fases anteriores da ADD mercantil evidenciaram o tipo de massa com que é feito o carácter dos professores. Uma visão demasiado optimista mas perversa da vida levar-me-ia a considerar que as relações pessoais e profissionais não ficaram melhores nem piores, ficaram apenas mais claras e menos cinzentas. Uma visão estritamente objectiva acerca das mudanças que os modelos anteriores e o “modelito” actual irão suscitar leva-me a afirmar que a ADD visa exclusivamente retardar a progressão na carreira. O problema não é a avaliação do desempenho, o problema é a progressão na carreira. Por isso está condenada ao fracasso qualquer proposta que pretenda separar uma da outra. Este “modelito” se tem algum mérito é o de dizer claramente que a avaliação é um problema despiciendo.

Custa-me muito ver colegas a fustigarem-se com questiúnculas sobre a ADD. Esta ADD agregada à progressão na carreira é uma farsa e não faz qualquer sentido se não for exclusivamente formativa, porque é a única que poderá suscitar alterações substantivas na qualidade das práticas. Os colegas que venham a beneficiar das isenções da ADD não podem ser responsabilizados, nem condenados, pela pretensa regalia de poderem progredir sem amarras. Até porque todos, os mais e os menos novos que se encontram em escalões inferiores, lá chegarão um dia…se viverem muito anos… talvez meio século de profissão, digo eu.

E porque me encontro num dia zen, apelo ao diálogo intergeracional. 😉