Os sindicatos têm a posse da bola…

O processo negocial da ADD está aberto e cabe aos sindicatos pronunciarem-se sobre a proposta que lhes foi apresentada pelo governo. Considero que a única solução sensata seria suspender o processo durante o próximo ano lectivo, não resultando daí qualquer perda para o contribuinte porque as progressões na carreira estão congeladas, para se cuidar devidamente o emaranhado regulamentar. Este seria um ponto prévio que os sindicatos deveriam defender na próxima ronda negocial. Não sendo aceite, importa começar o ano lectivo com a regulamentação da ADD já aprovada e devidamente divulgada porque é um bom princípio que as regras do jogo sejam conhecidas antes do seu início. E não havendo sensatez, como aliás tem sido habitual, concordo com o Francisco quando propõe ao seu sindicato que a decisão sobre esta matéria seja adiada para a última ronda de forma a permitir ainda a realização de plenários sindicais nos primeiros dias de Setembro. Do mesmo modo, como delegado sindical não me pronunciarei nessa condição sem ouvir os colegas que represento e só eu me devo sentir vinculado às opiniões transcritas neste blogue.

Sobre a ADD propriamente dita a manutenção das quotas é razão suficiente para recusar um acordo. Ou aceitamos a premissa de que as quotas são um excremento pedagógico, e não aceitamos que desempenhos meritórios sejam travados por uma qualquer engenharia financeira, e não assinamos o acordo; ou aceitamos a premissa de que a ADD é um assunto de contabilidade de merceeiro e rateamos os percentis ou as quotas para premiar esses mesmos desempenhos.

A Fenprof, sendo coerente com o que tem defendido nesta matéria, não deve assinar o acordo se forem mantidas as quotas ou os percentis.

Estando em desacordo na generalidade mantida a questão das quotas, deve no entanto participar nas negociações e procurar burilar o documento tornando-o o menos gravoso para os docentes. Sobre essas questões pronunciar-me-ei mais tarde.

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16 thoughts on “Os sindicatos têm a posse da bola…

  1. fjsantos 16/08/2011 às 14:08 Reply

    Miguel,
    Percebo que não queiras pronunciar-te sobre este processo sem saberes o que pensam os colegas da tua escola. Esse é também um constrangimento que sinto.
    Acontece que a escolha deste calendário negocial foi tudo menos inocente, da parte da equipa ministerial. E pensar que ainda houve professores, muito críticos da Fenprof, que se insurgiram porque esta não aceitou o calendário inicial que previa o fecho do processo até ao fim deste mês. Como poderíamos então ouvir os restantes professores?
    De qualquer modo, as sugestões que deixei no post que referes são de minha exclusiva responsabilidade e não as discuti com ninguém. Só que não me parecia sensato não divulgar estas reflexões a tempo de poderem ser ponderadas desde o início das negociações, independentemente de vir ou não a ter acolhimento por parte do meu sindicato e da Fenprof.
    Abraço

  2. José Manuel Faria 16/08/2011 às 21:10 Reply

    Os colegas do 8º, 9º e 10º não serão sujeitos a avaliação. Há profs de 1ª, 2ª e 3ª? O que é isto?

  3. mariazeca 17/08/2011 às 13:53 Reply

    É mais de 3a idade, a lógica será essa 😉

  4. IC 18/08/2011 às 04:51 Reply

    Também acho que a questão das quotas deve ser ponto de honra para a FENPROF, mas estou com a ideia de que a FNE assinará. E confesso que me interrogo sobre se a Nuno Crato interessará ter só essa assinatura, pois dá-me ideia de que ele não está grandemente interessado na ADD, mas sim em a usar para um começo seu a dar a imagem de grande acordo. Se calhar, é uma errada impressão minha.
    Quanto aos professores isentos, terei lido com pouca atenção pois julgava que seriam só os do 9º e 10º escalão. E nisso, como creio que já disse, não vejo questão de professores de 2ª e de 1ª, pois acho descabida a avaliação de desempenho para professores que já passaram pelas outras avaliações (desde que o Bom seja mesmo um Bom e não a nota que se dá a quem não é Bom de facto) e são detentores de grande experiência (ai! balha-me deus, este é o argumento de NC). Pelo raciocínio de professores de 2ª e de 1ª, então também os próprios escalões (e a própria carreira docente) seriam uma conotação de professores de 1ª, 2ª, 3ª, 4ª…… , quando nada impede que um professor tenha um Excelente no início da carreira. E a isenção será igual para todos, pois os que agora são avaliados, lá chegarão. Confesso que a animosidade contra os professores que agora já tenham chegado à situação de isentados está a parecer-me uma atitude estranha (para não dizer feia)
    Mas quem sou eu para opinar?!

  5. Miquelina 18/08/2011 às 11:38 Reply

    É indecoroso que os professores mais velhos, por norma aqueles que menos trabalham, estejam isentos da avaliação. Da mesma forma, parece-me IMORAL que um professor no último escalão trabalhe metade de um contratado mas ganhe mais do dobro. É absolutamente repugnante que exista este tipo de desigualdades no trabalho. Acrescento que me metem um profundo nojo as pessoas que consideram que este estado de coisas é normal, aceitável e desejável.

  6. Fernanda 18/08/2011 às 14:13 Reply

    Miquelina,

    porque é que afirma que uns professores “trabalham” menos do que outros nas escolas? ou que “trabalham metade”?

  7. Miquelina 18/08/2011 às 18:14 Reply

    É muito simples, Fernanda.

    Os professores em pré-carreira ou até aos 50 anos dão 22 horas lectivas, ou seja, 22 aulas. Os professores no último escalão dão 14.
    Os primeiros apanham com turmas de 28 ou 30 alunos. Os segundos apanham com turmas de 5 ou 6 (no caso dos nocturnos) ou com turmas de 10 ou 12.

    Os primeiros acumulam facilmente cento de trinta alunos. Os segundos raramente têm mais de 50.

    Os primeiros ganham mil e poucos euros por mês. Quer dizer-nos quanto ganham os segundos, ou é segredo?

    Os primeiros fazem o trabalho difícil das escolas: direcções de turma, coordenações de curso. Os segundos ficam com os cargos honoríficos, como a representação do grupo disciplinar ou um qualquer clube de treta que nunca faz nada de jeito na escola (é obsceno verificar que a maior parte dos clubes de línguas existe para fazer uma semana de crêpes suzette ou bolo inglês… por favor, que mediocridade!)

    Agora responda-me, por favor, Fernanda: concorda que uns trabalhem tanto e ganhem tão pouco em comparação com quem trabalha tão pouco e ganha tanto?

    Ou será que a Fernanda faz parte dos interesses instalados, devidamente representados pela fenprof, que não querem mexer no actual status quo? E, já agora, concorda que esses tais professores dos últimos escalões não sejam avaliados?

  8. Fernanda 18/08/2011 às 22:52 Reply

    Discordo da sua análise em toda a linha.

    O que o Miguel escreve no post acima vai ao cerne da questão. Creio que não preciso escrever mais nada.

  9. Miquelina 18/08/2011 às 23:43 Reply

    Discorda?

    Aponte, então, algum dado que seja incorrecto..

    Esclareça se alguma daquelas afirmações não é verdadeira.

    Mas não nos disse, Fernanda, se concorda com a diferença salarial entre uns e outros…

  10. Miguel Pinto 19/08/2011 às 00:09 Reply

    Miquelina:
    Infelizmente a carreira docente tem sido maltratada pela tutela. A ideia de uma carreira faseada em termos remuneratórios até nem me parece mal desde que sejam respeitados os compromissos assumidos no início da assinatura do contrato laboral. A diferença salarial entre professores que desempenham funções análogas só se justifica porque a tutela não quer pagar um valor médio salarial, porque seria bem mais oneroso, e porque as expectativas dos professores poderem chegar a um patamar salarial mais elevado contraria, de certo modo, a sensação de desencanto que os atinge à medida que se aproximam da fase final do “contrato”. Se a tutela decide alterar as regras a meio do jogo ou decide alterar as regras com o jogo a decorrer, parece-me mal. E se há culpados nesta tramóia não serão certamente os jogadores.

  11. Miquelina 19/08/2011 às 00:26 Reply

    Concordo, Miguel. Mas entramos na quadratura do círculo: é indecente mudar as regras do jogo para quem já lá está há tantos anos, e sobre isso não tenho a menor dúvida.

    A solução, para mal dos que estão em pré-carreira, é estipular novas carreiras daqui em dainte: o mesmo estado que iliba a banca de contribuir para pagar a crise ou que concede benefícios escandalosos às grandes companhias estatais pelas quais dá jobs aos seus boys, trata afinal de nivelar tudo e todos por baixo mantendo privilégios apenas para os magistrados e os políticos, num assomo claro de corrupção instalada nas altas esferas do estado.

    E portanto, espera-nos isto: quem entrar para a função pública terá de se contentar com salários baixos. O próprio PR já disse que, quanto aos outros, é esperar que morram, o que é uma daquelas iniquidades que fica mal a qualquer um…

    Claro que nada disto retira sentido ao que afirmei anteriormente: a diferença salarial entre uns e outros é absurda, indecente, indecorosa e imoral. Claro que quem está nos últimos escalões não gostará de ler este tipo de afirmações, mas terá de viver para o resto dos seus dias na convicção de que, para usufruir de reformas douradas, teve de hipotecar seriamente o futuro dos seus filhos. Ou seja, tivemos em Portugal uma geração miserável, que está hoje acima dos 55 anos, que delapidou o património do estado e que deixou a factura para pagar ás gerações seguintes.

    O suicídio parecer-me-ia bastante razoável.

  12. Miguel Pinto 19/08/2011 às 00:41 Reply

    Miquelina:
    A ideia de mudar de nick não abona muito a seu favor… enfim. Para guarda de honra de Nuno Crato é Miguel. Para gerar entropia é Miquelina. Bem, creio que não terá muito sucesso neste cantinho… mas foi uma boa tentativa, lá isso foi.

  13. Miquelina 19/08/2011 às 00:47 Reply

    Só agora chegou lá, Miguel? Céus….
    Olhe, imagine que não foi essa a ideia. Achei que o nick “Miguel” lhe poderia causar algum embaraço, com os seus correlegionários a pensar que o Miguel tinha ensandecido. Para lhe evitar esse incómodo, uma “miquelina” pareceu-me mais razoável, poupando-o a mais trabalhos.
    Por aqui não terei muito êxito, pois pelo que se vai vendo e lendo os seus fiéis são maioritariamente comunistas empedernidos e defensores acérrimos do eduquês e de outras tolices infantis. Mas dá algum gozo verificar que as pessoas nao têm argumentos e fogem com o rabo à seringa logo à primeira cacetada. São fracos de espírito, estes professores…

  14. Miguel Pinto 19/08/2011 às 00:51 Reply

    Cara Miquelina:
    O que me aborrece mesmo é saber que a sua ligação à net está a ser paga com o dinheiro dos contribuintes. O que é inadmissível!… mas já nada me surpreende.

  15. Miquelina 19/08/2011 às 01:06 Reply

    Que tolice, Miguel. A ligação à net pago-a eu do meu bolso e, se quiser, posso entrar já a seguir um outro ip ou esconder o meu ip da visualização que lhe permite o wordpress. Não me diga que foi atrás do meu ip e descobriu algo do género

    Endereço IP : xxx.xx.xx.xxx
    Localização : PORTUGAL, LISBOA, LISBOA
    Ligação através de : TELEPAC
    Fuso horário : UTC +00:00
    Velocidade da Net : DSL
    Código de marcação directa internacional : 351

    Foi isso? Que fofinho!

    Acredite que não o quero aborrecer. Ainda se lhe dá uma coisinha má… Simplesmente estou quase sempre em desacordo com as suas opiniões (por exemplo, apelidar de “cratês” o discurso do ministro é de mau gosto… trocadilhos com o nome das pessoas não é coisa de gente de bem….), mas irrita-me sinceramente a incapacidade para analisar os próprios erros ou de sair do mesmo registo “cassete” que mantém nos seus posts…

  16. Miquelina 19/08/2011 às 01:08 Reply

    Olhe, para dar sequência ao que escrevi, acho que estou a dar demasiada importância a isto e a perder demasiado tempo com estas coisas.

    Desculpe se o incomodei. Espero que ao menos sirva para que repense as suas convicções.

    Adeus.

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