Mandemos as clientelas às urtigas

Na edição de sábado do Público (versão impressa), a jornalista São José Almeida escreveu um texto extraordinário onde evidencia as contradições de uma classe política espúria que suga o Estado para alimentar as suas clientelas e, sem se notar qualquer réstia de decoro, “fez campanha eleitoral com base num discurso de promessa de intransigência com favorecimentos e com o que dizia ser o excesso de despesismo no Estado. Uma linha discursiva que levou ao excesso da demagogia e do populismo, ao assumir como eixo de campanha aquilo que apresentava como moralização do Estado e da despesa pública através do emagrecimento do governo.”

Na mesma edição do jornal, Vasco Pulido Valente (VPV) responsabiliza o “Centrão” pelo estado de podridão da nossa democracia. “Para eles, só conta, e só contará sempre, o interesse do PS ou do PSD, nomeadamente o seu poder sobre o Estado. Este “Centrão” partidarizou tudo. Partidarizou o funcionalismo, as câmaras, o Tribunal Constitucional, o sector público e grande parte do sector privado da economia. Hoje é rara a instituição que esteja livre da influência directa ou indirecta dos partidos. A crise começou aí e, até agora, excepto pelo que a intervenção estrangeira forçou o Governo a fazer, não há sinais de arrependimento ou reforma.” VPV considera, e bem, que a impotência dos portugueses neste regime é, na prática, total.

É neste quadro de amorfismo democrático que nos deixamos embalar por discussões estéreis sobre o alcance de políticas, que visam, em primeiro lugar, a manutenção do modus vivendi instalado. Veja-se, por exemplo, o caldo em que foi imersa a discussão da ADD. A discussão técnica sobre o modelo a adoptar é risível face ao resultado político que se pretende alcançar. Ninguém de boa-fé discorda da ideia de que a ADD deve servir em primeiro lugar para promover o desenvolvimento profissional dos professores. E se não cumpre esse desiderato, então rejeitemos a hipocrisia sem recear remoques de quem quer que seja, e pouco importa se o fazem ao serviço da sua consciência, ou se o fazem ao serviço da sua conveniência.

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