Onde está o botão?

Enquanto são preparadas as medidas de fundo, as grandes “reformas” na educação, há muito pouco para comentar. Quanto a medidas concretas só conhecemos o reforço da carga lectiva a português e matemática e a decisão de mandar encerrar 266 escolas. Duas medidas já anunciadas pela anterior equipa governativa e que só o mero pormenor da escala nos permite dizer que não são medidas sincrónicas.

Independentemente dos motivos mais ou menos fundamentados que nos levam a concordar ou discordar do reforço da carga horária a português e matemática, sabemos que essa medida anunciada não resultou de qualquer plano estruturado de intervenção nem é o resultado de qualquer estudo sobre os problemas com a aprendizagem e com o ensino da matemática e do português. São medidas avulsas, pouco rigorosas, que até podem gerar efeitos contrários aos que se propuseram se esse tal plano tardar: Se nada se alterar dentro da sala de aula, se os alunos e os professores repetirem os mesmos preceitos de aprendizagem e de ensino, o reforço da carga horária não gerará qualquer efeito mas agora com uma agravante: os professores serão os únicos responsáveis pela oportunidade perdida.

Compreendo a natural satisfação dos professores destas duas disciplinas que se regozijam pelo acréscimo de tempo mesmo sem saberem se mais tempo de ensino corresponderá a mais tempo de aprendizagem e de treino. Só que mais cedo do que tarde, esses mesmos professores irão questionar-se sobre os eternos enunciados da aprendizagem e que se sintetizo numa simples questão: onde está o gerador da motivação dos alunos? Onde está o botão?

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2 thoughts on “Onde está o botão?

  1. IC 23/07/2011 às 03:13 Reply

    Medidas do novo ministro que sejam o resultado de qualquer estudo sobre os assuntos da parte dele???!!!
    Existiam exames no Secundário, depois vieram os do 9º ano, e agora o sr. ministro quer que comecem os pequenotes de nove anos a fazer exames, e ainda não sabemos que peso passarão a ter as notas dos exames. Mas por que raio é que não começa por se obrigar ele próprio a fazer uns exames sobre o que “estudou” sobre exames, aprendizagem, etc.? Eis uma boa reivindicação para os professores fazerem.
    Muitos professores acusam os sindicatos de não terem imaginação senão sempre para as mesmas formas de luta. Mas por que não usam a sua própria imaginação? Porque não enchem o gabinete do sr. ministro de cartas a pedir-lhe os fundamentos baseados na investigação científica, quer sobre exames, quer sobre a eficácia de aumento da carga horária do Port. e da Mat.?

  2. Miguel Pinto 23/07/2011 às 12:05 Reply

    “Porque não enchem o gabinete do sr. ministro de cartas a pedir-lhe os fundamentos baseados na investigação científica, quer sobre exames, quer sobre a eficácia de aumento da carga horária do Port. e da Mat.?”
    Para quê, IC? Não se brinca com questões de fé e de culto… 8)

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