Mais tempo, para quê?

Resultados dos exames do 9º ano são os piores dos últimos anos

“Por comparação a anos anteriores, quando as provas mais fáceis, os alunos melhoraram. Sabem mais. Mas tendo em conta o patamar de onde partimos, não conseguimos responder ao grau de exigência pedido este ano. O que quer dizer que há um longo caminho ainda a percorrer”, constata Elsa Barbosa. E esse caminho passa, necessariamente, por atribuir mais horas ao ensino da Matemática. O que é também pedido pela presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira. O reforço destas disciplinas consta do programa do actual Governo. Segundo aquela docente, os resultados deste ano só vêm reforçar que esta é uma medida que não pode ser adiada por mais tempo.

É confrangedora a linha de argumentação usada pelos responsáveis das associações de classe ouvidos pelo jornal Público. A Sociedade Portuguesa de Matemática e a Associação de Professores de Português consideram que o problema dos maus resultados dos alunos em exame nacional é resolvido com mais horas. De facto, face à quantidade e complexidade dos conteúdos contemplados nos programas nacionais, o alargamento da carga horária nas ditas disciplinas intensifica o treino dos alunos e, para um exame de igual grau de dificuldade, com o mesmo investimento pessoal dos alunos, é possível obter melhores resultados. Aliás, o ministro da educação já se comprometeu a alargar a carga horária nestas disciplinas. Mas, até quando? Eu explico a pergunta: por hipótese, é sempre possível aumentar a complexidade dos exames fazendo crer que as horas dedicadas são sempre insuficientes, o que prolongará a reivindicação por tempo indeterminado. Todos os anos serão precisas mais horas porque… não há tempo!

Ainda perceberia a exigência se o tempo que é destinado a estas disciplinas hipotecasse o desenvolvimento de capacidades lógico-dedutivas e comunicacionais, por exemplo. Mas até aqui é difícil de entender a reivindicação porque há um conjunto de disciplinas escolares que contribuem e concorrem para o desenvolvimento destas e outras capacidades.

Como a questão é colocada ao nível da demonstração de proficiência num conjunto de conteúdos programáticos, então há que rever a concepção dos exames que, muito provavelmente, não se ajustam ao que se propõem avaliar.

Só que reconhecer esta evidência tem mais custos… corporativos!

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