Chamem os tipos do PISA

Portugal é dos países europeus com mais crianças obesas

Seria demagógico afirmar que o problema da obesidade infanto-juvenil pode ser resolvido na escola. A educação escolar pode muito mas não pode tudo. Sem o envolvimento da família não é espectável que a escola compense eventuais retraimentos ou renúncias das obrigações parentais. No entanto, qualquer programa sensato de combate à obesidade nas populações mais jovens não pode abdicar da criação de equipas pluridisciplinares para o ataque às várias frentes ou dimensões do problema. Atente-se aos bons exemplos que a Faculdade de Desporto da UP vai disseminando, não obstante serem insuficientes face ao que falta fazer nesta matéria. As notícias que recorrentemente vão dando conta do avanço da epidemia parecem não encontrar eco naqueles que têm responsabilidades pela definição das políticas e, fundamentalmente, pelo cumprimento das mesmas. A ideia com que fico é que o Estado age como se o problema fosse do domínio privado, quando se sabe que será o Estado (mais ou menos social) a sofrer e a suportar os efeitos de uma população jovem doente. Esta atitude aparentemente liberal dos governos do arco da governação, que evita intrometer-se num problema que diz respeito a cada família, denuncia uma característica que nos conduziu ao buraco financeiro em que nos encontramos: a falta de planeamento e de responsabilidade política dos eleitos da nação, que preferem ignorar e fazer de conta que o problema não existe a enfrentá-lo agora para minorar os seus efeitos no futuro.

Do ministro da educação nem uma palavra sobre este problema. A escola pode e deve dar o seu contributo e não há melhor oportunidade do que uma reorganização curricular. E quando se esgrimem argumentos sobre a distribuição das horas remanescentes das áreas não curriculares, não deixa de ser paradoxal ouvir dizer que a prioridade são as áreas teóricas.

Há, fora de portas, uma forma enviesada de resolver esta questão: Apelar aos responsáveis do programa PISA para a elaboração de rankings internacionais da obesidade, juntamente com a Matemática e outros quejandos. É, quiçá, a única forma de convencer os econometristas da nossa praça.

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