Programa do PSD – Afinal, implodiu a bazófia!

Como era previsível, a montanha pariu um rato: O cidadão, o investigador, o pensador Crato metamorfoseou-se com o recente título ministerial. A retórica de ruptura com o status quo instalado no poder foi terraplanada pela máquina partidária e pela crua realidade.

O programa do governo PSD para a educação básica e secundária poderia ser o programa do governo PS. Aliás, o programa do PSD é um decalque das políticas socratinas para a educação. A transferência de competências para as autarquias, que já estava a ser ensaiada com alguns municípios amigáveis do PS, prossegue com um “novo” modelo de Contratualização com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses, os mega agrupamentos serão verticais (atentem a novidade), e depois será tudo reavaliado com muito mais rigor, claro está, com mais exames e outros quejandos. Tudo isto será realizado tendo subjacente o desenvolvimento e consolidação de uma cultura de avaliação a todos os níveis do sistema de ensino. E fica sempre bem dizer que tudo se passa numa cultura de avaliação, coisa que não acontecia antes de Nuno Crato chegar ao governo, como se sabe.

A ADD será reformada, como aliás prometiam as ex-ministras da educação. Sobre a falácia da ADD que está no terreno não se percebe se servirá para alguma coisa. Sabemos que o modelo de ADD proposto pelo CDS passará a ser a referência para qualquer coisa que há-de vir.

Quanto à implosão do ME e das suas inócuas e redundantes estruturas centrais e regionais, nada! Apenas a promessa de que agora há que “Orientar a organização do Ministério da Educação para os resultados” apostando no MÉRITO e nas carreiras dos seus quadros.

Percebe-se agora o silêncio de Nuno Crato desde que tomou posse. É um silêncio acanhado que denota murchidão. E percebe-se porquê: ao invés de implodir o ME, implodiu a bazófia do conferencista incauto.