Governo deposto, governo posto – Duas prioridades de curto-prazo para a educação.

Enquanto se ultimam os preparativos do novo governo e, fundamentalmente, das “novas” políticas, começa a especulação acerca dos titulares das pastas. Convém que a cara combine com a careta e que o responsável pela pasta se reveja no programa que ajudou a delinear ou, no mínimo, que o adopte como se fosse seu co-autor. Ficarei surpreendido, portanto, se Canavarro não for o nomeado para o cargo da educação não superior como recompensa pelos serviços prestados na elaboração do programa eleitoral.

É evidente que não é despiciendo saber se o titular da pasta tem competência política para o cargo e se é assertivo no modo como encara os problemas políticos. Já chega de imprudentes e aventureiros…

Além da incontornável questão da competência política, há que definir prioridades de curto prazo, depois de definidas as equipas de trabalho e demarcada a orgânica interna do ministério responsável pela pasta da educação. Elejo dois dossiers que, pelos efeitos que gerará nas escolas situadas, devem ocupar a atenção do próximo ministro da educação: a avaliação do desempenho docente e a gestão escolar. As escolas encontram-se há demasiado tempo em apneia; Urge libertar as escolas das amarras de procedimentos inócuos, redundantes e inconsequentes, que decorrem da aplicação do modelo de ADD; não se trata de encontrar apressadamente um modelo que sirva os propósitos a que se destina (continuo a considerar que é um erro com consequências desastrosas para a credibilidade dos professores a defesa de um modelo que não seja exclusivamente formativo) mas interromper definitivamente a farsa em que se transformou a ADD. Depois temos a organização taylorista da escola que atrofia as práticas colaborativas e fomenta todas as formas de balcanização. Há que devolver o protagonismo aos grupos de recrutamento; há que fazer do conselho pedagógico um órgão técnico-pedagógico cuja constituição deve ser vedada aos alunos, encarregados de educação e auxiliares da acção educativa; há que devolver a colegialidade às direcções executivas…

Porque não podemos perder mais tempo!

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7 thoughts on “Governo deposto, governo posto – Duas prioridades de curto-prazo para a educação.

  1. o DA 07/06/2011 às 02:21 Reply

    Sobre a gestão escolar, julgo que a tendência é para agravar o que foi feito, para mais com os megas…

  2. tsiwari 07/06/2011 às 09:14 Reply

    Olá!
    “fazer do conselho pedagógico um órgão técnico-pedagógico cuja constituição deve ser vedada aos alunos, encarregados de educação e auxiliares da acção educativa” – tens alguma má experiência neste campo? Não vi, até agora, qualquer desvantagem nestas participações e tenho visto muitos convenientes em contar com os seus contributos….
    Abç 🙂

    • Miguel Pinto 07/06/2011 às 10:26 Reply

      Viva, tsiwari.
      Se há contributos de pais e auxiliares da acção educativa nos CPedagógicos eles serão meramente residuais. Dir-me-ás que há casos e casos… mas, afinal, têm no CGeral o seu espaço.

  3. Henrique Santos 07/06/2011 às 21:29 Reply

    Olá Miguel. No campo das políticas próximas da Educação trazidas pelo PSD/PP só prevejo quase tudo negro. Se eles forem minimamente coerentes a única coisa positiva que poderão trazer, de imediato, é a tal suspensão da avaliação que temos, pois foi algo que prometeram e até legislaram. Se quiserem podem voltar a fazê-lo, agora cmunidos de todos os requisitos legais para fazer valer essa mudança. Mas esse aspecto, se bem que positivo, não é aquilo que é necessário para romper em diecção a políticas que sirvam interesses das camadas populares.
    Quanto à competência, costumo ter uma visão talvez um pouco diferente do que vejo ser propalada: embora, por vezes haja políticos realmente incompetentes, sob todas as ópticas possíveis, o que mais me preocupa são os competentes a fazerem políticas nefastas para a maioria da população. Foi o que aconteceu com Maria de Lurdes Rodrigues: eu acho que ela foi extremamente competente a começar a implementar uma política claramente neoliberal sob fachada de “socialismo”. O PSD/PP, prevejo, irá aprofundar o caminho lançado por Lurdes Rodrigues.

  4. Miguel Pinto 07/06/2011 às 22:12 Reply

    O fundo negro do blogue não é mera coincidência, Henrique. 8)
    Sou obrigado a concordar contigo quando dizes que a senhora MLR foi muito competente a implementar as políticas de “terra queimada”. Embora os problemas que nos atingem directa e particularmente na educação sejam acessórios face à gravidade da situação do país (e não é possível estar optimista ao ver aplicar as mesmas receitas que geraram mais dificuldades aos gregos e irlandeses…,) temos a obrigação de fazer o que sempre fizemos em devido útil: manter a vigilância denunciando os atentados à qualidade da escola pública, Henrique.

  5. IC 08/06/2011 às 04:43 Reply

    Miguel, desculpa se leio mal, mas pareces-me optimista. Eu não estou nadinha, e subscrevo o que escreveu o Henrique.

    • Miguel Pinto 08/06/2011 às 10:27 Reply

      Não me nada sinto optimista porque, (salvo as vicissitudes da crise que afecta cada um dos países, conheço os resultados das receitas aplicadas pelo triunvirato na Grécia e Irlanda. Mas, como sempre, faço um grande esforço para “pensar positivo” e ver uma oportunidade no espaço onde me situo para sair do buraco. Daí ter sugerido mais vigilância e a mesma atitude crítica e reflexiva, IC. 🙂

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