Não mordam o isco!

A política da terra queimada chegou aos médicos? A “avaliatite” percorreu toda a pirâmide do funcionalismo público e acabou por se instalar na classe médica? O SIADAP puro e duro, sem qualquer efeito ardiloso (como se verificou com o modelo de avaliação de professores), vai ser aplicado aos senhores doutores de medicina! Acompanhei a notícia só pelas parangonas porque, confesso, não é assunto que me tire o sono. As contradições do famigerado modelo da dona Lurdes já me dão sarna para me coçar. Adiante… Não li, nem tenciono ler tão cedo, a portaria que regulamenta a avaliação do desempenho médico. Li este post do Paulo relativo à possibilidade de existir uma portaria a aplicar exclusivamente aos médicos não sindicalizados.

É evidente que a publicação de uma portaria tão fracturante, que requer uma discussão mais alargada e prolongada no tempo, não é inocente: o PS parece agoniar a um mês das eleições e há que gerar o caos! Se as oposições morderem o isco, até é bem possível que a discussão de casos sectoriais, como este, faça desviar os holofotes da comunicação social para os problemas risíveis face ao estado do Estado.

Não vou dar esmola para esse peditório mas não resisto a uma piquena provocação: Devo presumir que os defensores do princípio utilizador/pagador ficaram satisfeitos com a utilização deste princípio numa negociação laboral? O benefício/prejuízo dos acordos devem ser suportados apenas pelos seus signatários ou instituições signatárias (e por extensão aos sócios das instituições signatárias)? Não seria este princípio que estava a ser defendido pelos professores que reagiram desfavoravelmente ao acordo firmado entre as organizações sindicais de professores e o ME de Isabel Alçada relativamente ao ECD? Não seria esta a ideia que estava subjacente à contestação daqueles que viram apenas os efeitos negativos do acordo e que discordaram da estratégia sindical adoptada?