Uma escola (de qualidade) para todos

Desporto Escolar: Especialistas alertam que programa pode enfraquecer, ministra garante que é para manter.

Lisboa, 21 mai (Lusa) – A reorganização do desporto escolar ameaça tirar na prática tempo de atividade desportiva aos alunos, afirmam especialistas ouvidos pela Lusa, mas a ministra demissionária assegura que nada está posto em causa.

O despacho publicado este mês estipula que o desporto escolar fica fora das horas que os professores têm no horário semanal para aulas. Antes, os projetos de desporto escolar podiam contar como horas de componente letiva, mas com o novo despacho já não, têm que ser desenvolvidos extra-aulas.

Para Jorge Mota, do Centro de Investigação em Atividade Física, Saúde e Lazer da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, a decisão de reduzir as horas de trabalho consignadas ao desporto escolar “não está baseada em nenhum pressuposto pedagógico” e quem sofre são as crianças.

Percebo o Professor Jorge Mota. É um investigador em Actividade Física associada à Saúde e não lhe faltam evidências empíricas para expressar a sua preocupação. As taxas elevadas de crianças e jovens pré-obesos são sensíveis a qualquer alteração, por mais pequena que seja, das condições de prática desportiva na escola.

O recente despacho assinado pelo Secretário de Estado Adjunto e da Educação, José Alexandre da Rocha Ventura Silva, que retira 1 hora semanal da componente lectiva ao já escasso tempo adstrito às actividades de treino (ao que se acresce o filtro para a criação e manutenção dos grupos/equipa), vem contribuir para o definhamento do Desporto Escolar.

Mas o maior problema é, a meu ver, a escassez de tempo destinado à Educação Física que obstrui, como devia, a elevação das capacidades físicas das crianças e jovens. O caso mais paradigmático que observo, e que os responsáveis políticos fingem desconhecer, está na situação imperdoável dos cursos profissionais, que oferecem um bloco semanal de 90 minutos. Ora, não serão necessários grandes conhecimentos científicos para se intuir que o desenvolvimento das capacidades físicas carece de um determinado tempo mínimo de exercitação, sem o qual não ocorrerão as alterações fisiológicas indispensáveis ao desenvolvimento das crianças e jovens.

Percebem agora que quem defende uma escola para todos não quer dizer necessariamente que defende uma escola de qualidade para todos?

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2 thoughts on “Uma escola (de qualidade) para todos

  1. Rui Ferreira 23/05/2011 às 15:44 Reply

    Caro Miguel,

    Desde a Organização Mundial para a Saúde a todos os investigadores da área das actividades físicas sabem disto: terão de existir, no mínimo, três estímulos semanais para que haja uma melhoria significativa das capacidades motoras.
    É por este facto que os programas de Educação Física emanados pelo ME para os vários ciclos de ensino referem: o sucesso da aplicação destes programas só é possível se existirem três estímulos semanais para a disciplina de EF. Isto encontra-se escrito preto no branco e a bold para que não haja dúvidas.
    Qual a realidade? Simples, ninguém tem.
    “Uma Lei Justa quando não é Aplicável torna-se Imoral” (José Brás, Universidade Lusófona)

    • Miguel Pinto 23/05/2011 às 18:21 Reply

      É isso mesmo, Rui. E só não vê quem ignora a relevância social da disciplina de Educação Física.

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