Déjà vu

Os dois grupos de trabalho que o Paulo descortinou na luta interna do PSD, fazem-me lembrar uma contenda antiga e de má memória para o Sistema Educativo porque dela resultou um modelo de escola assente numa filosofia tecnocrática ao invés de se ter optado por uma filosofia humanista e personalizante. A contenda a que me refiro emerge dos grupos de trabalho constituídos no âmbito da Comissão de Reforma do Sistema Educativo (CRSE), criada pela Resolução do Conselho de Ministros nº 8/86, publicada em DR em 22/01/86. Os dois grupos de trabalho eram coordenados, respectivamente, por Fraústo da Silva (responsável pela proposta de reorganização dos planos curriculares, cuja figura central era a Área-Escola) e por Manuel Ferreira Patrício que apresentou a proposta da “Escola Cultural” (que relevava a pluridimensionalidade pedagógica da Escola).

Hoje, a escola continua agarrada a essa lógica burocrática de “Reforma” segundo a qual há um movimento transformador do topo para a base. MLRodrigues foi a ministra que melhor interpretou esta lógica pedagógica e hoje, no PSD, esta mudança de filosofia não se enxerga no seu programa eleitoral, a não ser que a promessa de PPCoelho se cumpra nesse sentido.

A escola deve estar no centro do sistema educativo, que deve estruturar-se e funcionar em obediência aos imperativos pedagógicos da escola, como defendia, e bem, Manuel Ferreira Patrício. Se é isto que defende Santana Castilho no seu livro (que ainda não tive oportunidade de ler), se é esta a sua luta, será também a minha luta!