A Educação em campanha eleitoral – CDS

O CDS apresentou o seu programa eleitoral. O documento contempla um conjunto de medidas de política educativa que os seus autores dizem ser promotoras dos gastos e inócuos chavões: exigência, rigor e mérito.

A concorrência entre a escola pública e privada é, para este partido político, a chave da qualidade. Qualidade que é conseguida à custa da concorrência das escolas entre si, através do reforço da autonomia (celebração de contratos de autonomia) e da descentralização de competências escolares para as autarquias.

É reafirmada a importância da educação como “principal mecanismo do elevador social” embora a realidade demostre que a filosofia da CUNHA e dos COMPRADIOS, e as práticas CACIQUES, são os principais motores do tal elevador social.

É um programa que é demasiado ambíguo no modo como pretende ver reforçada a autoridade dos professores e responsabilizadas as famílias pela educação das crianças e jovens.

Ficou por aclarar também o modelo de avaliação de desempenho docente. Não basta dizer que o modelo de ADD não será burocrático, que a avaliação é hierárquica – direcção pedagógica – o que evita que avaliador e avaliado concorram entre si, que é inspirado no modelo de avaliação que está em vigor no ensino particular e cooperativo.

Convém relembrar ao CDS que a direcção pedagógica e a direcção executiva não são a mesma coisa. Que a existir hierarquia pedagógica, haveria que recuperar a carreira dos titulares (ou outra iniquidade do género) da ministra de má memória, MLRodrigues. Será mesmo isto que o CDS pretende?

A questão dos exames nacionais nos finais de ciclos de escolaridade regressa à retórica deste partido (para ser correcto, essa retórica nunca foi abandonada) para mistificar a questão da qualidade, exigência e rigor, numa tentativa de estabelecer um nexo causal entre a quantidade de exames e a qualidade das aprendizagens.

Reforça-se a ideia do ensino instrumental, ao serviço do mercado de trabalho. O CDS propõe uma “revisão curricular, não essencialmente por razões financeiras (note-se bem, digo eu), mas por redefinição de uma estratégia de conteúdos que prepare realmente os alunos para a inserção do mercado de trabalho. Tal deve incluir a estrutura curricular nos 2º e 3º ciclos de escolaridade, concentrando as aprendizagens dos alunos em torno de um núcleo de disciplinas estruturantes; o reforço da carga horário das disciplinas de português e matemática no ensino básico; em contrapartida, a eliminação da área de projecto e de estudo acompanhado; e a introdução de cursos profissionais mais cedo, no 3º ciclo de escolaridade.”

Depois segue-se o palavreado habitual da liberdade de ensino…

Houve um tempo, nas escolas, em que o primado era o Pedagógico.

Infelizmente, terei de regressar ao assunto. Mas neste momento só me ocorre apelar: Tenham o mínimo de decência! Rasguem a Lei de Bases do Sistema Educativo, por favor!

Directores das escolas preparam-se para novos modelos de gestão

Começa amanhã um programa promovido pela Microsoft Portugal em parceria com o Ministério da Educação com vista a preparar os directores das escolas do ensino básico e secundário para os novos modelos de gestão das escolas.

[…] O programa desenvolve-se em três etapas. A primeira fase, com início amanhã, na Universidade Lusófona, será constituída por workshops. A segunda etapa está orientada para a realização de um plano de melhoria e desenvolvimento para a escola e a terceira passa pela avaliação da implementação dos planos de melhoria.

[…] A coordenação científica está a cargo de José Canavarro (professor da Universidade de Coimbra e ex-secretário de Estado) e entre os especialistas convidados estão confirmados os nomes do ex-ministro da Educação Roberto Carneiro e dos professores universitários Jorge Adelino Costa (Universidade de Aveiro), Manuel José Damásio (Lusófona) e Natércio Afonso, que coordenou o estudo do Ministério da Educação sobre "Aprendizagem na Educação".

Presença assegurada serão também os responsáveis de empresas (que acompanharão a criação e implementação dos Planos de Melhoria nas Escolas) como a NDrive, Sumol/Compal, Merck, Parpública, BESI, CIP, BluePharma ou de instituições bancárias como o BES ou Montepio.

Quem vê TV sofre mais que no WC

O refrão da música do saudoso grupo Rock Português, dos anos 80, “Táxi”,  continua actual. Até às eleições, o jogo das projecções, como mais à frente se clarifica, vai fazendo as delícias dos jornalistas que assim podem brincar às análises, ao sobe e desce, alimentando o negócio dos comentários e da “opiniatite”, confundindo os incautos consumidores de TV.

A Projecção Intercampus dá 36,8% a Sócrates e 33,9% a Passos Coelho. Mesmo assim, os dois partidos continuam em empate técnico. CDS regista forte subida.

“O erro de amostragem, para um intervalo de confiança de 95%, é de mais ou menos 3,05%. A taxa de resposta foi de 47,9%. Nesta sondagem 21,2% dos entrevistados não revelaram a sua opção e 22,4% não indicou um partido ou indicou que não votaria. Que quando aplicável, é feita uma distribuição proporcional de registo de não respondentes, sem opinião e abstenção, passando a usar-se a expressão «Projecção».”

E como tudo o que é coisa que promete
A gente vê como uma chiclete
Que se prova, mastiga e deita fora, sem demora
Como esta música é produto acabado
Da sociedade de consumo imediato
Como tudo o que se promete nesta vida, chiclete (Táxi, chiclete)

Repito: Nesta sondagem 21,2% dos entrevistados não revelaram a sua opção e 22,4% não indicou um partido ou indicou que não votaria. Certo?

21% de votos é uma margem suficientemente segura para se brincar às projecções,.. como se fora uma chiclete!