Peão por um dia ou “rainha” todos os dias?

Reli o texto que escrevi em 7 de Março de 2008. A pergunta retórica “Até onde queremos ir?” pressagiava uma atitude pré dinâmica. Dizia eu que “A avaliação do desempenho é a face visível, talvez mais mediatizada, de um mal-estar que impregna a profissão docente e que é traduzida numa expressão carregada de sentido: Os professores estão indignados! Há razões próximas e distantes de um sentimento que emerge das entranhas da profissionalidade. E quem ainda não entendeu este problema não estará em condições de participar na busca das soluções. Não se trata, portanto, de tapar o sol com a peneira, mudando os rostos do ME. Embora uma grande parte dos professores o clame [porque a ministra da educação e a sua equipa corporalizam, na perspectiva dos professores, a perversidade das políticas educativas], a mudança de um ministro e dos seus acólitos não atacará as causas do problema. Como afirmou e bem Mário Nogueira, não há decisão política que venha a ser tomada até ao dia da marcha que possa interromper esta manifestação de descontentamento.”

A marcha foi realizada, a equipa ministerial mudou, e, como se viu, o descontentamento metamorfoseou-se em cepticismo. A perversidade das políticas educativas acabou por abater esse pré dinamismo. Ficamos quietos. Ficamos à espera, incrédulos! Hoje pergunto: Depois dessa manifestação, o que fizemos na escola situada, que acções realizámos no quotidiano escolar para sacudir o torpor? Que acções empreendemos para conter o avanço deste taylorismo modernaço?

Podemos buscar razões exogéneas para consolar consciências inquietas. Podemos transferir a culpa do que não foi feito para os sindicatos, para os movimentos de professores, para os colegas do grupo disciplinar, para a direcção da escola. Podemos purgar o sentimento de culpa para camuflar o encolhimento e os amuos.

A resistência faz-se todos os dias na escola situada! Mas pensar que a acção se desenvolve apenas num tabuleiro é ver curto, é não querer ver que a micropolítica não dispensa a macropolítica e vice-versa.

No dia 12 de Março, em Abril, em Maio ou Junho, que importa o dia e o mês, é uma oportunidade para jogarmos noutro tabuleiro. Dirão que seremos peões por um dia. Não costumo menosprezar a acção de um peão num jogo de xadrez. Até porque no dia-a-dia (e não o digo apenas porque hoje é o dia da Mulher) seremos sempre as “rainhas” da acção.

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2 thoughts on “Peão por um dia ou “rainha” todos os dias?

  1. […] Já o Miguel teoriza no balanço entre a micro e a macropolítica, parecendo não perceber o essencial: há quem não queira a queda deste Governo e de oposição às suas políticas faz apenas a coreografia indispensável para manter as aparências e erguer pergaminhos. Muitos lutadores receiam o FMI e a ascensão da “Direita”, não percebendo eu muito bem – sou curto de ideias – se todas as portas para os atropelos não foram já abertas e se realmente ainda há pior por aí do que aquilo que nos desgoverna.   GostoBe the first to like this post. […]

  2. Cristina Ribas 08/03/2011 às 23:29 Reply

    Excelente, Miguel!

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