A escola PlayStation

O primeiro-ministro, José Sócrates, inaugurou, esta sexta-feira, em Murça o que classificou de um exemplo da escola pública (…)
“Estou tão alegre quanto vocês porque eu sonhei com isto há uns anos atrás: sonhei com uma escola com bonitas cores, com moderna arquitectura, sonhei com uma escola com as mais modernas tecnologias, sonhei com numa escola do futuro», partilhou com a assistência.”

Percebem agora o que o primeiro-ministro entende por escola do futuro?

Sócrates fala como um engenheiro. Fala de uma escola de fachada, fala de uma estrutura fixa, fala de um amontoado de tecnologias. Esta é a escola com que sempre sonhou: Uma escola PlayStation.

Percebem agora por que não vale a pena explicar ao primeiro-ministro que as condições em que se a Escola se concretiza, embora mereçam a atenção do Estado, são instrumentais? Gostava que o seu discurso se centrasse nas pessoas, nos alunos, professores e auxiliares. Gostava que o tema central dos discursos fosse a aprendizagem e o ensino.

Atentem como a aprendizagem é arrastada para a sua retórica de circunstância sem se explicar em que medida as aprendizagens serão melhores com edifícios mais… coloridos.

«A isto se chama uma revolução na nossa educação. Porventura há muito quem fale de reestruturação e reforma do Estado pois aqui está uma forma de reformar o Estado: chama-se a isto ter mais eficiência, concentrar os recursos, dar melhor aprendizagem, mas também gastar menos dinheiro», afirmou (José Sócrates).

Não creio que valha a pena esmiuçar o discurso do primeiro-ministro porque se trata de uma mixórdia de lugares-comuns. Mas não consigo deixar de sorrir com a afirmação de que uma forma de reformar o Estado é gastar menos dinheiro.

É que não consigo deixar de pensar na  Parque Escolar quando ouço falar de poupança na Educação Winking smile