Para que serve a mudança?

Educação: Governo vai gastar menos 439 euros com cada aluno da escola pública em 2011/2012

A colega está a um passo da reforma. Tem idade e tempo de serviço para olhar para a floresta sem se deter demasiado tempo com a árvore; Pode ver para além da sua circunstância as incidências e as tendências políticas. Pode comparar e testemunhar os efeitos da macro-política na organização da escola situada. Mas nem precisava de recorrer à sua memória de longo prazo para apreciar o sentido das mudanças no sistema educativo. Bastavam-lhe seis anos de serviço e alguma capacidade reflexiva para discernir que as regras do ensino e do trabalho dos professores estão a mudar.

Lamentámos que os professores caem nas armadilhas da culpa pressionados pelo “tempo” e pela sobrecarga de tarefas;

Lamentámos que os professores teimem em conservar culturas de ensino individualistas;

Lamentámos que os professores não resistam à diminuição do seu poder discricionário em todos os domínios da sua actividade;

Lamentámos que os professores legitimem o controlo burocrático administrativo que, paradoxalmente, restringe o desenvolvimento profissional.

Não ignoro que estamos num continuado processo de mudança. Mas convém que esse processo de mudança não anule a questão fundamental dos objectivos e da substância de tal mudança.