Desporto Escolar – O toque de finados

O projecto de despacho de organização do trabalho nos agrupamentos ou escolas não agrupadas dá um golpe fatal no Desporto Escolar: As horas de que a escola necessita para a dinamização de actividades com grupo/equipa a nível do desporto escolar, dado tratar-se de uma actividade de enriquecimento e complemento curricular, sairão da componente lectiva.

Simplificando para uma linguagem mais corrente, avanço já com o meu prognóstico: Morreu a actividade externa do Desporto Escolar.

Porquê? Por uma razão evidente: sem o “incentivo” da redução da componente lectiva que visa a preparação/realização da actividade externa (cuja configuração e o nível de exigência é similar à preparação/realização das actividades lectivas e que exigem uma enorme disponibilidade dos professores para as deslocações que se realizam normalmente aos fins-de-semana) o apelo ao espírito missionário mais profundo que mora em cada um dos resistentes estará condenado ao fracasso. Os missionários vão poder dedicar-se, em exclusividade, como todos os outros missionários de outros grupos disciplinares, às suas missões lectivas!

Considerando a vontade do ME em reduzir custos;  considerando que a actividade interna do desporto escolar é menos exigente para os professores e para os alunos; considerando que estas actividades não são práticas de treino orientado; são actividades desportivas, obviamente organizadas, mas com um pendor recreativo e menos intensivas sob o ponto de vista da prática:

Os docentes vão preferir as actividades internas.

Com a ligeireza costumeira do ME, que ignora as recomendações emanadas do Parlamento Europeu, esbanja uma valência importante do desporto escolar, que muito tem contribuído para a luta contra tendências negativas em matéria de saúde. E porque convém ter presente que os efeitos do exercício físico regular contribui consideravelmente para reduzir as despesas de saúde é caso para dizer:

O barato sairá muito caro!

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4 thoughts on “Desporto Escolar – O toque de finados

  1. IC 05/01/2011 às 01:31 Reply

    Não sou capaz de desejar mal pessoal a ninguém, senão diria que essa gente lá da Tutela precisava de ser obrigada a ter filhos na Escola Pública e a sentir consequências de falta de actividade desportiva, tão importante para os jovens em vários aspectos.

  2. José Adriano Martins 05/01/2011 às 04:52 Reply

    De facto é absotutamente incompreensível esta situação. Citando o Senhor Secretário do Desporto Laurentino Dias na entrevista dada na edição do passado Domingo ( dia 2 de Janeiro ) do Jornal a ” Bola ” : ” Temos padrões de prática desportiva e de actividade física inferiores aos da União Europeia. O primeiro dos objectivos que este Governo, ou qualquer outro, as federações e os agentes desportivos devem perseguir é o de procurar ter mais gente a fazer desporto….”citando ainda, -” temos a consciência de que o país desportivo só será grande quando a nossa população, desde os bancos da escola, criar hábitos de exercício físico e prática desportiva”, e ainda ” Estimulámos o trabalho que as federações têm feito com o Desporto Escolar. Há um reforço muito grande de concertação de algumas modalidades com o Desporto Escolar.” Neste contexto, palavras para quê? Será que neste Governo sabem uns dos outros?

  3. Vladimiro José Alves Campos 06/01/2011 às 18:49 Reply

    O Governo, se lavar avante esta medida, é de uma total falta de projecto para Portugal e para as gerações vindouras!!! Se calhar, pouco ou nada lhes interessa isso, ao Governo e a toda a classe política actual. Uma vez que, neste momento o que interessa é resolver os problemas do BPN, das finanças públicas (sempre á custa de medidas irracionais e sem perspectivas de um futuro melhor para todos), com os mesmos de sempre a pagarem as facturas… Mas eles continuam com os seus joguinhos de interesses a bem das finanças pessoais…
    Pois bem, aquilo que de bom se tem feito na escola ao nível do Desporto Escolar, com a criação hábitos de vida saudáveis, regras de convivência, camaradagem, prevenção da obesidade e de futuras doenças através de uma práctica sistemática com treinos e competições, o incutir nas crianças e jovens o saber ganhar e perder, respeitando sempre os adversários, é algo muito rico que nenhuma medida politica economicista pode deitar fora. É no mínimo revoltante, pensar que isto poderá acontecer.
    Porque, só quem vive o dia-a-dia de uma escola e especificamente o de uma escola como a minha (EBS Cerco do Porto), é que sabe o que o Desporto Escolar representa para aquelas crianças e Jovens. Uma realização pessoal do tamanho do mundo… ali eles estão a executar uma tarefa muito digna, estão a formar-se como futuros cidadãos responsáveis e vencedores, porque estão ocupados num dos 22 Grupos/Equipas(G/E) que eles quiseram, ou nas Festas do Desporto, Saraus de Ginástica (Campeões Nacionais do Desporto Escolar), de Dança e nos vários torneios realizados na componente não lectiva. É vê-los todos contentes quando chega o Sábado da competição, porque vamos jogar a uma escola de Gaia, do Porto etc , com o reforço alimentar…
    Por isso, se esta medida avançar, para além de se reduzir drasticamente para 20% dos G/E existentes, deixa de haver horas para todo o resto (torneios semanais, corta-mato, Compal 3×3, MegaSprinter, dia da Modalidade etc.), ou seja, as crianças e jovens do Cerco do Porto vão ter mais tempo para estar com o seu Bairro!!! Não é que não gostem de estar lá, porque são muito bairristas, o problema é o que se passa por lá!!!
    Não brinquem com coisas sérias…deixem em paz, o que de bom se faz em Portugal!!!

  4. Rui Ferreira 10/01/2011 às 00:17 Reply

    Andamos mesmo em contraciclo das sociedades mais desenvolvidas.
    O Desporto Escolar é importante? É?
    Existe quem o implemente mal? Existe, infelizmente.

    Actualmente sou professor responsável por um Grupo de Desportos Gímnicos que conta com 4 subgrupos, Solo, Trampolins, Acrobática e Hip Hop, 123 alunos inscritos que dão o que têm nos 3 blocos de 90′ e 2 de 45′, semanalmente. Apenas um professor, eu. Conto com a preciosa colaboração de alunas e alunos em tarefas de gestão, organização e ensino, sem os quais o projecto sairia inviabilizado.

    O fim anunciado do Desporto Escolar acabará com o brilho nos olhos dos meus alunos. A eles, um a um, pedirei desculpa.

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