Ora agora encavalitas tu…

A recente iniciativa do Paulo Guinote é meritória. Por sua conta, e por conta daqueles que consigo colaboram, tem procurado afrontar o ME, também no plano judicial, algumas deliberações pretensamente ilegais. Faz bem. Não sei se alguma vez o Paulo Guinote e os seus confrades contribuíram monetariamente para as iniciativas judiciais e serviços de apoio ao professor diligenciados pelos próprios sindicatos cujo usufruto foi directo ou indirecto. Como não sindicalizado que se diz ser, presumo que já o terá feito porque não gosta de se encavalitar. Ele e todos os outros colegas não sindicalizados que diligentemente esperam uma nova oportunidade para desancar nos sindicatos.

Espero que a FENPROF faça o caminho pelo seu próprio pé, como o tem feito até agora. E não o deve fazer para evitar remoques ressabiados porque nada do que fizer será imune às críticas. Deve caminhar pelo seu próprio pé porque todos os pareceres que se angariarem serão poucos para conter a avalanche de iniquidades deste governo.

7 anos… na blogosfera

Tempo

Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.
Tempo…
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!
Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!

Miguel Torga, in ‘Cântico do Homem