Há lutas em dois quintais

O Estudo Acompanhado era a unidade de cuidados intensivos do Português e da Matemática", defende ao DN Arsélio Martins, da APM, para quem esta solução era ainda assim "um paliativo" que só disfarçava as carências.

Ainda pensei que a área não disciplinar de Estudo Acompanhado tinha como objectivo ensinar as crianças e jovens a estudar. Claro que só um lírico como eu, que nada percebe de metodologia de estudo, é que poderia pensar que a criação desta área não disciplinar visava uma coisa muito simples: ajudar as crianças a encontrar um método singular para um estudo autónomo.

Depressa as áreas não disciplinares (Área de Projecto e de Estudo Acompanhado) foram subjugadas pela Matemática e pelo Português e transformadas em centros de treino intensivo, ou cuidados intensivos, como os designa o colega Arsélio Martins, da APM.

Nada de surpreendente se considerarmos que há muito tempo prevalecem as lógicas mercantis no sistema de ensino. Daí a febre dos resultados atestados nos famigerados rankings. Daí o papão dos exames nacionais. O que me leva a pensar que as ideias, os projectos, as inovações, tudo o que é criado com o intuito de transformar a escola acaba metamorfoseado em produto negociável. Com a conivência dos órgãos de gestão e com o silêncio cúmplice dos conselhos pedagógicos, as áreas não disciplinares (insisto no negrito), designadamente, o Estudo Acompanhado e a Área de Projecto, acabaram na alçada das disciplinas do regime (Matemática e Português) e a Educação Cívica acabou por ser uma propriedade do Director de Turma para o trabalho directo com os alunos porque há sempre que resolver problemas do quotidiano escolar (o que até nem me parece mal face ao objecto da disciplina).

O governo decidiu, e bem, acabar com a farsa. Eu sei que não o fez pelos melhores motivos: Não vai acabar com as áreas não disciplinares por ter verificado que o sistema foi pervertido. Mas se há males que vêm por bem, este é um deles, por muito que custe aos excelsos líderes das associações de professores de Português (APM) e Matemática (APM).

4 thoughts on “Há lutas em dois quintais

  1. Já uma vez te deixei um comentário sobre o assunto. Eu ganhei competência para as duas áreas por mim própria (para aplicar um pouo nas aulas curriculares, pois só cheguei a aplicar nas não curriculares uma vez no Estudo Acompanhado). Mas os professores lêem, estudam, investigam? Não é “obrigatório” fazê-lo?
    Afinal o que é que compete a quem? (Embora o ME devesse ter formado os professores para essas áreas, nem que fosse ao menos mandando alguma bibliografia)
    E agora a APM está a ficar parva?!

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  2. Infelizmente, desde o início que me apercebi que o Estudo Acompanhado servia para pouco mais do que compensar, quando compensava, as aulas de matemática e português. E a Área de Projecto? Nunca entendi a utilidade destas dois espaços curriculares.
    Pela minha experiência, do meu filho, serviram apenas para ocupar, mal, o tempo. Sentavam os alunos e forçavam-nos a estar ali sem qualquer programa de trabalho. Esta é a minha experiência.
    Negativa, portanto nesta Escola em concreto.
    E o governo? avaliou o funcionamento destas ‘aulas’? Como de costume, a resposta é simples…

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