Ninguém é dono de alguém.

O associativismo livre é um direito constitucional incontestável desde que não se destine a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal. Já o escrevi por diversas vezes, e não é um exercício inócuo de retórica: os movimentos de professores que emergiram na contestação às políticas educativas de José Sócrates têm caminho aberto para andar ao lado, à frente, atrás, em sentido inverso ou no mesmo sentido das organizações já constituídas. Não sendo obrigadas a fazê-lo eu preferia que dissessem ao que vêm, para tomar partido. Se a ideia é ser uma espécie de organização sombra dos sindicatos, uma espécie de sentinela da consciência (admitindo as organizações têm essa qualidade psíquica), o diabinho ou anjinho das acções sindicais, não vejo qualquer inconveniente por mais que desagrade aos dirigentes sindicais mais ortodoxos; Se a ideia é constituir-se como uma associação alternativa de professores, isto é, um movimento cuja área de intervenção ultrapassa as questões corporativas e visa uma intervenção política que não se confunda com a acção estritamente partidária ou sindical, então há que definir claramente esses contornos; Se a ideia é constituir um sindicato alternativo aos inúmeros sindicatos de professores já existentes, então há que assumi-lo sem reservas e passar a arregimentar sócios; Se a ideia é apenas existir, com uma intervenção inócua na blogosfera, então deixem correr o marfim.

De todas as possibilidades que elenquei, o papel de diabinho e de anjinho parece-me estar mais ajustado à intervenção destes movimentos, designadamente a APEDE e o Movimento da Escola Pública.

Enquanto que o segundo, por sustentar uma maior harmonia com a acção sindical, não necessita de partir para o terreno para recrutar apoios, já o primeiro, a APEDE, para marcar as agendas sindicais, não poderá dispensar esse trabalho de rua. Ora, é aqui que o rabo da porca entorta. Como mobilizar o professorado parece ser o busílis da questão.

Sindicatos e movimentos de professores terão de aguardar mais alguns meses, até porque a conjuntura será cada vez mais favorável à mobilização dos professores: quando se concretizarem os cortes salariais prenunciados; e quando as condições de trabalho atingirem um novo patamar de deterioração.

Até lá, será mais do mesmo.

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