Autonomia das escolas e a febre dos resultados

O Ramiro defende uma proposta de financiamento onde “Cada agrupamento de escolas faria um contrato com o ME por quatro anos, sendo-lhe permitido gerir as escolas em completa autonomia curricular e pedagógica e sendo obrigado a apresentar resultados no final dos quatro anos.

Se os resultados dos alunos conhecerem progressão, o contrato será renovado. Se houver regressão, o contrato será denunciado, o director demitido e a gestão do agrupamento entregue, por contrato, a uma entidade com provas dadas na gestão de instituições educativas.”

Os resultados dos alunos progridem quando:

Sobem as classificações dos alunos nas disciplinas sujeitas a exame nacional;

Sobem as taxas de aprovação;

Diminuem as taxas de abandono escolar.

Para cumprir este desiderato, os directores promoveriam centros de treino de alto rendimento em disciplinas sujeitas a exame nacional (nada de novo e que já não aconteça em muitas escolas privadas) (E se forem generalizados os exames nacionais a todas as disciplinas, seria muito interessante perceber a agenda dos centros de treino); Aumentariam a pressão sobre os professores no sentido da aprovação dos alunos e intensificar-se-iam os sistemas de controlo e vigilância dos professores; Desenvolveriam estratégias perversas de selecção de alunos com maior potencial de aprendizagem e menor predisposição para o abandono.

Em nome de uma pretensa eficiência na utilização de recursos, será que vale a pena incrementar a avaliatite? Espero que esta tese não venha a corroborar a seguinte hipérbole: na sua azáfama de pesar a galinha, o dono acabou por se esquecer de a alimentar.

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2 thoughts on “Autonomia das escolas e a febre dos resultados

  1. Graca Sampaio 26/11/2010 às 15:02 Reply

    Concordo três vezes! O professor Ramiro vem dos States com umas ideias ultra-liberais que não têm nada a ver connosco. Ó “balha-me deus zzzzz” como diria o Diácono Remédios…

  2. José Manuel Faria 26/11/2010 às 23:08 Reply

    E porque não aplicar esta tese a todas as actividades públicas!

    //Ó “balha-me deus zzzzz”// como afirma a Graça, citando o Diácono.

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