Greve Geral – Equívocos

greve1Alinho pelo mesmo diapasão retórico do Octávio dizendo que respeito todos aqueles colegas que não “decidam aderir à Greve Geral do dia 24 de Novembro, ainda por cima se forem aqueles colegas com os quais partilhei muitas das lutas travadas contra os governos de Sócrates.” É um respeito que decorre da adopção tácita das regras democráticas de convivência e do exercício da cidadania. Mas, perdoem-me a arrogância, tenho sérias dificuldades em compreender os argumentos.

Foquemo-nos nos três motivos elencados pelo Octávio para não aderir à Greve:

1. “não alinho na mistificação daqueles que pretenderam mobilizar os professores para esta Greve Geral, recorrendo à instrumentalização das reivindicações dos professores, mormente o modelo de avaliação, que eles próprios aceitaram e legitimaram sempre que tiveram oportunidade para o substituir. (…)

2. esta Greve Geral, isolada e desprovida de uma agenda de resistência continuada e persistente, adquire uma dimensão meramente folclórica, sem que ninguém ainda tenha percebido que expectativas de resultados decorrerão desta jornada de luta (…)

3. depois de os dirigentes das centrais sindicais terem admitido, publicamente, a inevitabilidade do Orçamento de Estado para 2011 e virem manifestando uma complacência e uma mansidão para com o governo de Sócrates (…), não tenho dúvidas de como tudo isto não passa de encenações, por parte de quem, nos momentos decisivos, está feito com este governo.”

Das três razões evocadas existe um alvo comum: os sindicatos. O que me permite pensar que as razões para a adesão à Greve geral emergem da actuação dos sindicatos ao invés de serem desencadeadas pela actuação do Governo.

São verdades la palicianas considerar que os sindicatos são as organizações responsáveis pelo agendamento das greves; que é possível discordar da oportunidade e que nem sempre estaremos de acordo com a actuação do governo; que as greves são formas de luta discutíveis.

Tudo isto é verdade.

Mas também é verdade de que se trata de uma Greve Geral, não sectorial. Mesmo que os sindicatos usem uma estratégia, admitamos como hipótese, errada, isso não pode significar que os professores, como profissionais intelectuais que são, fiquem reféns dessas razões e não busquem razões cujo alcance ultrapassam as fronteiras corporativas.

Não quero crer que o Octávio, como homem livre do pensamento que é, esteja refém de uma pretensa necessidade de afirmação e de independência em relação às organizações sindicais. Ou assume que não concorda com esta forma de luta e Greves(?), não muito obrigado; ou então é bem possível que só numa próxima reencarnação é que encontre motivos tão fortes para dizer Não às soluções políticas que os nossos representantes encontram para os desafios do presente.