Greve geral (I)

Apesar de não gostar de comentar resultados de sondagens, sobretudo quando desconheço a ficha técnica, a sondagem do JN suscita-me uma pequena observação porque parece revelar uma faceta perversa dos inquiridos.

Diz o JN que Maioria dá OK à greve mas não tenciona aderir pelo simples facto de que “a convicção maioritária é de que a greve não levará o Governo a alterar as suas posições — só 18% se inclinam para admitir que haja cedências da sua parte.”

Diz o jornal que “ nada menos de dois terços dos cidadãos consultados no âmbito do estudo de opinião assegura que não tenciona aderir à paralisação.”

Como refere, e bem, o Telmo Bértolo: “As greves parecem não resultar no nosso País, ao contrário do que acontece noutros países europeus mais desenvolvidos do que o nosso, onde os seus cidadãos têm mais consciência dos seus direitos e deveres e põem a sua dignidade a frente do dinheiro… Aqui parece acontecer o contrário. Estamos sempre à espera que sejam os outros a resolver os nossos problemas!…”

E os pretextos serão pelo menos três: os materialistas, mais virados para os trocos; os analistas, focados nas tácticas e estratégias sindicais erráticas; e os oportunistas, que usam a retórica dos segundos motivados pela força dos argumentos dos primeiros.

Haja decoro, por favor. Assumam o desacordo se tencionam não aderir à greve geral.