Disputa pelo pedaço de tempo.

O fim da Área de Projecto e do Estudo Acompanhado, previsto na proposta OE, vai deixar em risco pelo menos 5 mil professores, estima a FENPROF. Não sendo uma boa notícia para os professores contratados por razões óbvias, a extinção das áreas curriculares não disciplinares pode ser uma boa notícia para a escola. Desde logo se for acompanhada por uma diminuição do tempo de permanência dos alunos na escola contrariando a ideia peregrina de que a escola deve ser a tempo inteiro, relegando a família para uma espécie de baldio ao dispor do empregador. Pode ser uma boa notícia se o emagrecimento do currículo formal decorrer de uma política escolar centrada na cultura, ao invés de estar subordinada ao económico. Pode ser uma boa notícia se não decorrer de uma lógica reformadora burocrática, secundarizando e instrumentalizando o acto educativo.

A notícia de que chegou o fim das áreas não disciplinares parece ter desencadeado uma corrida ao pedaço de tempo: A Matemática, o Português, a História, a EVT, enfim, não faltam candidatos em bicos de pés acenando com benefícios pretensamente intrínsecos a cada disciplina. É evidente que a Educação Física também concorre nesta competição porque não lhe faltam motivos e argumentos sólidos para reforçar a sua importância no espaço escolar.

A meu ver, não deve prevalecer a lógica do feudo de uma qualquer corporação relativamente às restantes. É uma discussão inócua porque há que reflectir sobre a lógica política mais adequada à natureza da educação. E essa lógica dever ser a de longo prazo que tenha em linha de conta as carências culturais e educativas da população. Carências essas que não se remedeiam com o tipo de formação acelerada que é promovida pelos CNO´s socratinos.