Olha para o que digo…

O Paulo Guinote desafia as estruturas sindicais a “apelar aos seus dirigentes e delegados que abandon(ass)em os cargos que ocupam nas estruturas de gestão escolar ou de coordenação que impliquem participação no processo de ADD.” Se bem entendi a provocação, o Paulo defende que, nomeadamente, os Relatores renunciem à função para a qual foram designados. E defende esta acção individual por entender que ela seria coerente com as posições defendidas pelas estruturas sindicais. Dito de um modo mais simples: em nome da coerência e independentemente de haver ou não enquadramento legal para sustentar uma determinada forma de luta, o Paulo acha que os professores devem resignar a um serviço com o qual discordam.

Passei de relance a um conjunto de funções que mereceriam igual atenção e que, em nome da coerência, os professores deveriam renunciar. Desde a função de director de turma, cargos de coordenação, à simples função de professor, não faltam funções para contestar e renunciar.

Só não percebo por que razão os defensores das lutas a solo precisam de se amparar em recomendações das estruturas sindicais para agir em coerência.

Bem prega Frei Tomás…

22 thoughts on “Olha para o que digo…

  1. Desculpa não ter percebido o teu raciocínio.
    Falha minha, que a solo penso mal.
    Pensei que a missão de DT ou outras que enumeras não eram “políticas”, como é o caso da ADD.
    Anoto também que preferes sublinhar o caso dos “relatores” em vez do que acho principal: o pacto feito por várias estruturas sindicais com o 75/2008 e mesmo a aceitação de cargos em CAP depois da destituição de colegas.

    Percebo que assim prefiras.
    Será que terias problema em basear-te no CPA para fundamentares a tua recusa em ser “relator”?

    Ou já estamos na fase da aceitação total de tudo, desde que sobre o folclore habitual?

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  2. O mais interessante – ia-me escapando – é que evocas o Frei Tomás, quando ele deveria ser usado como exemplo maior para dirigentes sindicais que aceitaram ser “reitores” ou “conselheiros”. de um modelo do qual – retoricamente – discordavam.

    Se em tempos queriam “ganhar posições”, agora querem o quê?

    Isto é como com os OI… Forama correr entregá-los e depois retirá-los quando já acharam seguro.

    Tretas.

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  3. O teu desafio é inequívoco: defendes que os professores abandonem cargos. E tu sabes muito bem quais as consequências para os professores que não aceitam o serviço atribuído. Eu sei que a tua noção de “política” está circunscrita à ADD, como se tudo o que empobrece a função docente não fosse igualmente “política”. Mas não vou perder de vista a floresta só porque tenho um fetiche pela árvore, Paulo.

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  4. A ter “fetiche” seria pelo modelo de gestão que “vocês” aceitaram de modo muito pacífico.
    Quanto à ADD é apenas um subproduto do ECD que “vocês” negociaram e “acordaram”,
    Que agora queiram iludir isso, sacudir a água do capote e continuar nas “posições” é outra coisa.

    Pois, recusar certas funções em nome da coerência é complicado.
    Muitos alemães justificaram-se assim por terem pactuado com o tio Adolfo.

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  5. Achei graça às aspas do teu comentário. A subjectividade está bem patente.
    E já que apelas à coerência, o que te impede de recusar as funções com as quais discordas, Paulo?

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  6. Nunca aceitei nenhumas de que discordasse.
    Mais importante: nunca me candidatei a nenhumas que criticasse.
    Ainda mais importante, e esta nem é para ti, pois não nos conhecemos pessoal ou profissionalmente: nunca me armei em “lutador”, em “puro” para depois apenas me revelar um tipo que gosta de fugir ao trabalho.

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  7. Reparei que fintaste a semântica. Não aceitei (funções) de que discordasse… não me candidatei a nenhumas que criticasse. Concordas então com o conteúdo funcional que nos impingiram nesse ECD que tanto criticas… Fantástico.

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  8. Há uma coisa que não percebo bem: estás a criticar funções, como ser DT, que são muito anteriores a qualquer ECD?

    Isso não é fintar a semântica.
    É fintar toda a realidade.

    Se não achasse que até não acreditas nisso, diria que não conheces o conteúdo funcional da tua profissão antes de 2005.

    No meu blogue apareceu um dia um comentador que me acusava de dizer coisas erradas, apenas porque o próprio as não conhecia, pois começara a leccionar apenas em 1999.

    Será que não sabes que ser DT não emana do ECD que eu “tanto critico” e o antecede de umas décadas?

    Fantástico, Mike!!!

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  9. O problema não é esse, Paulo, como tu sabes bem. A leitura que fazes do meu comentário é insensata, assim como o remoque que deixas no teu blogue, de tal forma que só se compreende se ela decorrer de uma lógica que vise descredibilizar o interlocutor. Podes tentar mas verás que é tempo perdido. Mas se a ideia é mesmo essa, creio que poderás ir um pouco mais longe ao afirmar que eu desconheço que a função de professor existe antes da aprovação do ECD. Certamente que os teus admiradores aplaudirão a argúcia argumentativa.
    Um abraço.

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  10. Estou farto de sindicatos da treta e de sindicalistas da treta, que mal aparecem nas escolas e não têm minimamente em conta o que pensam os “colegas”… seriam colegas se eles dessem aulas, se “vivessem” nas escolas, se, antes de vir dizer que vão fazer isto e aquilo (num rol de medidas obsoletas e completamente anacrónicas), ouvissem em primeiro lugar os professores que estão no terreno.
    Acordaram agora? Ficaram ofendidos agora, quais virgens, com a sorridente Ministra. Não há pachorra!
    Infelizmente, a seguir a Sócrates e aos seus acólitos, quem mais tem desacreditado os professores têm sido os próprios sindicatos e as posições inviezadas que constantemente protagonizam.

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  11. Miguel,
    Quem disse que eu tinha fetiches?
    Isso é credibilizar o interlocutor?

    Já agora, o que são para ti os meus 2admiradores”?
    É uma forma de os credibilizares?

    Ree tudo o que escreveste desde o post inicial e os teus próprios comentários.
    Não sou que extrapolo de funções relacionadas com legislação aprovada desde, em especial 2007, e conteúdos funcionais da docência que precedem em muito aquilo que eu referi.

    Já agora… acho divertido quando se queixam de eu reagir com armas similares ás que usam contra mim.

    A credibilidade constrói-se perante todos. Ou o conseguimos, ou não.

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  12. Afirmaste que gostarias de ver as estruturas sindicais a engrossar a voz e apelar aos seus dirigentes e delegados que abandonem os cargos que ocupam nas estruturas de gestão escolar ou de coordenação que impliquem participação no processo de ADD.

    Questionas-me directamente se eu teria problemas em basear-me no CPA para fundamentar a minha recusa em ser “relator”?”

    Sugeres que evoque o artigo 48º do CPA que admite a possibilidade de escusa e dispensa de intervir no procedimento quando “ocorra circunstância pela qual possa razoavelmente suspeitar-se da sua isenção ou da rectidão da sua conduta, designadamente a alínea d):
    Se houver inimizade grave ou grande intimidade entre o titular do órgão ou agente ou o seu cônjuge e a pessoa com interesse directo no procedimento, acto ou contrato.

    Sugeres então que se inventem inimizades graves ou se promova a poligamia entre os avaliadores e avaliados?

    Ou estás mesmo a sugerir que os colegas “Violem os procedimentos da avaliação do desempenho (alínea i) do art. 17º da Lei 58/2008)” de que resulta uma pena de suspensão?

    Álcool no rabo dos outros é refresco, não é verdade, Paulo?

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  13. Miguel,
    Por qualquer estranha razão omitiste partes do CPA.
    Assim como me assacar “invenções”.
    São juízos de intenção que ficam com quem os faz e revelam mais de ti do que de mim.
    Garanto-te que, em nenhum momento, precisaria de “inventar” nada.

    Há é quem, para se proteger e defender a “legalidade”, use todos os “truques”.

    Foi assim com os OI e depois com a FAA.
    E será sempre assim, já o percebi.

    Tu nunca “violarás” a lei.

    Já o escrevi algures, é dessa massa argumentativa que se fez o colaboracionismo em muitos regimes.

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  14. Não vale a pena.
    Encerro por aqui uma discussão inútil, porque é inútil fazer perceber uma coisa a quem o não quer.
    De longe, prefiro os alunos…
    A esses, por vezes, ainda é possível chegar. Ainda não foram tolhidos e amarrados por dentro.

    De longe, prefiro os alunos…

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  15. Miguel,não resisto a comentar. Discussão inútil de facto pois é verdade que é inútil tentar fazer perceber algo a quem não o quer. O que eu não sabia é que, num regime democrático, é legítimo violar as leis. Num regime democrático, o que é legítimo e é o caminho certo é lutar contra elas para que sejam mudadas, quando é caso disso. O governo é prepotente e nada muda perante as lutas? Então continuar a lutar é errado??!! Pois… continuar a lutar dentro da legalidade democrática custa e então é melhor odiar os sindicatos, pois eles existem para se lutar com a persistência que exige custo pesado. E a classe média não gosta de custos pesados, a classe baixa costuma dar melhor exemplo.
    Um abraço.

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    1. A IC disse quase tudo o que eu pensei acrescentar. Só discordo da parte em que toma a discussão como inútil. A meu ver, estas discussões permitem-nos revelar mais qualquer coisa. 🙂

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      1. Miguel, permite-me que discorde! 😀
        Um belo dia, nada mais há para revelar.
        Mas podemos discutir o assunto! 😉

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