Mundial de futebol – Um outro olhar.

É do senso comum olhar para um jogo de futebol e apreciar apenas a fase ofensiva. Mas quem aprecia o jogo de futebol pela sua lógica interna, pela alternância das fases de jogo, pela expressão das possibilidades dos jogadores nesse mosaico fluído de movimentos debilmente articulados, em que o TODO é sempre maior do que a soma das partes, não pode deixar de louvar o trabalho que foi realizado pela equipa técnica da selecção. Quem acompanhou esta equipa desde o início, desde o começo, onde a equipa era uma manta de retalhos sem uma ideia de jogo, sem um modelo de jogo, metamorfoseou-se num conjunto homogéneo que é, hoje, valorizado e respeitado por todos os intervenientes directos no próprio jogo, pelos jogadores e treinadores adversários.

Hoje observámos dois modelos de jogo antagónicos. Venceu o espanhol, é verdade. Mas não encontro motivos para menorizar o nosso modelo de jogo. Quem assistiu, recentemente, ao jogo defensivo da equipa de José Mourinho em Barcelona, exaltou a excelência do trabalho defensivo. Mais até do que a organização ofensiva da equipa, no jogo da 1º volta, que lhe permitiu entrar na 2ª volta da eliminatória com vantagem. Teria saído enaltecida a audácia do treinador se o resultado final fosse negativo?

É evidente que a selecção portuguesa tem margem de progressão. Ao contrário da selecção espanhola em que dá a ideia que a equipa começou a ser construída da frente para trás, face à qualidade dos médios e atacantes, a nossa selecção foi construída, e bem, de trás para a frente face às características dos “nossos” jogadores. Esta competição foi apenas o começo e, face aos resultados alcançados, começámos bem.

Para memória futura, não posso deixar de enaltecer o trabalho da equipa técnica e dos jogadores porque acrescentaram valor ao JOGO.

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10 thoughts on “Mundial de futebol – Um outro olhar.

  1. JMF 29/06/2010 às 23:31 Reply

    Miguel, o teu olhar é extremamente positivo e eloquente sobre a selecção nacional, o meu é precisamente o oposto.

  2. Miguel Pinto 30/06/2010 às 00:23 Reply

    Zé Manel, ninguém gosta de perder. Nenhum adepto gostou de ver afastada da competição a sua selecção nacional. Percebo a frustração dos adeptos e é normal que o resultado final do jogo contamine as análises da qualidade do trabalho que foi feito pela equipa técnica. No futebol, uma derrota separa o céu do inferno. Responde com honestidade: manterias a tua opinião se tivéssemos vencido este adversário?

  3. RetrOvisOrio.com 30/06/2010 às 01:46 Reply

    Kaká um BadBoy?…

    Muito interessante, adicionei no meu blog, pode ser? Podemos trocar banners. Abraços……

  4. JMF 30/06/2010 às 09:15 Reply

    Miguel sê honesto. Se por acaso Portugal tivesse marcado, por exemplo aos 60 minutos, pensas que a Espanha levaria o banho que Portugal levou nos restantes 30 +3? Claro que não. Teria um plano B.
    Trabalho da equipa técnica? A selecção foi uma miséria nas eliminatórias. E no campeonato perdeu com a Espanha, e bem, empatou com uma equipa africana e com o Brasil (empate servia aos 2), e deu 7 a uma ultra/ingénua Coreia do Norte. O melhor do mundo, CR, marcou um golo circense.

    ps: No extremo o teu raciocínio daria o seguinte: A equipa A é boa porque ganhou, a B inferior apesar de falhar 2 penaltys, 5 bolas aos ferros e 80% de posse de bola!

    Diria mais a tua análise é única, parabéns!

    • Miguel Pinto 30/06/2010 às 10:16 Reply

      Zá Manel, insisto na ideia que defendi no teu blogue: podemos reduzir a análise do trabalho da equipa técnica às incidências deste jogo, procurando associar o resultado desta eliminatória às substituições pretensamente mal sucedidas ou à escolha equívoca dos jogadores da equipa inicial, à estratégia de jogo desadequada, etc., etc., isto é, podemos fazer de conta que o trabalho que foi iniciado pelo Carlos Queiroz e parceiros teve a sua prova de fogo num jogo com a actual campeã europeia; por outro lado, podemos alargar a análise do trabalho da equipa técnica ao projecto para gerir e acautelar o futuro da selecção nacional, projecto esse que prevê a criação de grupos de elite e que visa refundar o trabalho que foi destruído pelo Scolari (que não soube acautelar o presente da selecção nacional ao cometer o erro crasso de pensar que uma selecção nacional pode fazer o que fazem os clubes quando os jogadores da casa não estão preparados – vão ao mercado internacional).
      Eu opto pela segunda análise porque é mais profícua e não corre o risco de ser circular onde todos julgamos ter razão porque nenhum de nós poderá confirmar as suas teses. São opções, Zé Manel 🙂
      Abraço.

  5. Paulo Guinote 30/06/2010 às 17:30 Reply

    Discordo do post, porque contém uma dose excessiva de edulcorantes e zero emoção.
    😉

    • Miguel Pinto 30/06/2010 às 22:24 Reply

      É caso para dizer: Não renegues uma ciência que desconheces, Paulo. 8)
      Agora mais a sério: Discordas do quê? Eu não busco consensos mas gostaria ao menos de saber o que é refutado. Repara que não me posicionei no cantinho do adepto, como o faço frequentemente quando joga o glorioso. Aí joga a emoção, a exaltação e a festa. Desta vez preferi olhar para outra dimensão do jogo…

  6. Sérgio 02/07/2010 às 09:34 Reply

    Miguel,

    neste post, do Pedro Barroso, tens mais e melhor:

    http://sorumbatico-longos.blogspot.com/2010/07/quadratura-do-circo-o-queiroz-que-eu.html

  7. […] mais conhecido pela sua faceta artística e menos pela sua formação académica. Agradeço ao Sérgio a referência e a possibilidade que me dá para aclarar o que penso sobre o […]

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