?

Expliquem-me como se eu fosse um socratino:

Se há banqueiros, governantes, analistas do economês, e outros que tais, que questionam a “verdade” das classificações das agências de rating; e se crêem que se trata de um jogo especulativo que aliena e perverte a vida das pessoas; por que razão não mandam estes tipos às favas? Esta coisa da regulação não deveria ser uma competência de um banco central, por exemplo o Banco Europeu de Investimento?

Se a coerência fosse um valor absoluto… ou os paradoxos preocupantes?

Se a coerência fosse um valor absoluto, os professores deveriam recusar a avaliação legislada, de pendor mais sumativo, reclamando uma avaliação exclusivamente formativa, aquela que mais contribuiu para o bem estar das pessoas, das organizações e das sociedades.

Se a coerência fosse um valor absoluto, eu não defenderia, como defendo, as três orientações estratégicas aprovadas no X Congresso da Fenprof: valorizar a escola pública, construir o sucesso educativo e organizar a luta, agindo no quadro da especificidade da profissão,  mas integrando, cada vez mais a acção no âmbito mais geral dos trabalhadores, designadamente no quadro da Frente Comum e da CGTP-IN. Defenderia a ilhota dos professores na função pública.

Não fosse a coerência um valor relativo, não perceberia a proposta do BE que defende a prorrogação até ao ano escolar de 2011/2012 (de) uma norma transitória que estipula que a lista de ordenação dos candidatos é calculada com base no tempo de serviço e na nota de curso. Esta proposta parte da presunção de que um dia, lá para o ano de 2012, a avaliação do desempenho docente será séria, justa, assente num modelo de avaliação avalie exactamente aquilo que se propõe: a qualidade do desempenho docente. Não fosse a coerência um valor relativo, talvez se defendesse a eliminação da famigerada norma transitória.

Mas eu percebo, não obstante ter sido ajudado, e muito, pelo meu sentido religioso, que é tudo uma questão de fé. Por isso quero acreditar que em 2012 existirá um modelo de avaliação objectivo, justo, sério, que identifique o que é fundamental avaliar e que vise, em última estância, o bem estar das pessoas, das organizações e das sociedades.

Nils Brunsson diria, a este respeito, que a hipocrisia facilita bastante a manutenção da legitimidade das organizações.