Confundir alhos com bugalhos.

E agora? O que vão fazer os sindicatos?

Nada, como é evidente. Os sindicatos concordaram com um modelo de avaliação com ciclos de dois anos, feito entre pares e que todos sabem ser um mecanismo gerador de injustiças, compadrios, nepotismo e show off.

O que vão fazer os sindicatos, Ramiro?

A tua pergunta é demagógica porque sabes, como sabem todos os professores, que os sindicatos discordam deste modelo de avaliação. Podemos discordar das opções dos sindicatos quando aceitaram assinar o acordo, podemos discordar dos motivos tácticos e estratégicos. Podemos refutar os argumentos utilizados por ambas as partes, assim como podemos extrapolar sobre o alcance desse acordo ao nível da (des)mobilização dos professores. O que não podemos afirmar, se estivermos de boa-fé, é que os sindicatos estão de acordo com este modelo de avaliação que foi imposto pelo ME. Eu ouvi, em directo, a conferência de imprensa logo após a assinatura do acordo relativo ao ECD. Nos dias seguintes, a imprensa e a blogosfera divulgaram exaustivamente as reservas dos sindicatos quanto à ADD.A posição dos sindicatos sobre esta matéria é clara: Este modelo de avaliação é conceptualmente errado porque não promove o desenvolvimento profissional dos docentes, e é inadequado porque suscitará entropia nas relações profissionais.

Dizer que os sindicatos estão de acordo com este modelo de avaliação ou usar a parangona que deu conta que a Fenprof (saiu) satisfeita com resposta do Governo sobre avaliação, como fez o Paulo, não deixa de ser um exercício excelente para alimentar a polémica e incrementar as audiências, mas servirá muito pouco para informar e esclarecer. É que logo depois da parangona também se lê que «Todas as preocupações que a Fenprof trouxe a esta negociação foram positivamente respondidas, o que quer dizer que terão consequências no próximo regulamento que vai sair, o que para nós é positivo», afirmou Mário Nogueira, à saída de uma reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Educação.

E que preocupações são essas? Creio que a resposta está também na notícia: “Esta negociação suplementar tinha como objectivo «acautelar direitos que estão a ser postos em causa» no diploma, no que diz respeito aos docentes que mudam de escalão e aos meses que teriam de aguardar para a passagem de escalão, tendo em conta os processos de avaliação intercalar.”

A gargalhada.

"A gargalhada nem é um raciocínio, nem uma ideia, nem um sentimento, nem uma crítica: nem é o desdém, nem é a indignação; nem julga, nem repele, nem pensa; não cria nada, destrói tudo, não responde por coisa alguma! E no entanto é o único inventário do mundo político em Portugal.
Um governo decreta? Gargalhada. Fala? Gargalhada. Reprime? Gargalhada. Cai? Gargalhada. E sempre a política, aqui, ou pensando, ou criando, ou liberal ou opressiva, terá em redor dela, diante dela, sobre ela, envolvendo-a, como a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, cruel, implacável – a gargalhada!"

Eça de Queiroz