Acho bem!

Que as coisas não estão bem no ensino básico (e secundário, por que não?), disso estamos todos certos. Há quem diga que o problema está no currículo, há quem pense que o problema é organizacional, outros dirão que o principal problema é de natureza cultural, outros nem dirão nada porque… não vale a pena. Enfim, a novidade é que não é possível qualquer consenso entre os professores sobre o que importa rever numa putativa revisão do 3º ciclo do ensino básico. Façam-se os inquéritos de opinião que se fizerem, haverá sempre uma pluralidade de opiniões, tantas quantas as perspectivas ou ideias de escola. Penso que o ME não estará interessado em ouvir os professores para decidir o que quer que seja sobre o sistema educativo, como nunca esteve, de facto. Se nas matérias em que está obrigado por lei a ouvir os representantes dos professores, o ME enreda, e simula, e avança, e recua,… não estou a imaginar uma espécie de referendo para tomar uma decisão, por muito vital que ela seja para o sistema educativo.

Ora, nem o ME vai ouvir a classe, nem a classe está interessada em opinar sobre este tipo de decisões políticas. Podemos sempre pensar que é possível influenciar a decisão política, pela via da comunicação social ou pela via do associativismo de classe, fazendo crer que a nossa opinião é A opinião dos professores. E também não será difícil de encontrar argumentos que legitimem os nossos pontos de vista porque, como disse atrás, há sempre uma ideia de escola pronta a dar guarita às nossas opiniões, sejam elas mais ou menos esotéricas.

Espremendo todo este blá, blá, noto no meu discurso uma espécie de determinismo relativista, qualquer coisa de pós moderno, que nada esclarece o assunto que me fez sentar para escrever alguma coisa de jeito.

Se a ideia é dizer que a minha opinião vale o que vale a minha opinião e nada mais do que isso, não seria um atrevimento pensar que essa opinião passou a valer mais só porque o caro leitor, ou uma dúzia, ou um milhar de leitores, pensa exactamente como eu? Hummm…